Rio de Janeiro, 31 de Janeiro de 2026

Os caminhos da mula para um mundo melhor

Por Gilberto de Souza - O eMule, ou mula cibernética, se preferirem, é um achado. Nem tanto pelas facilidades de buscar e levar músicas, filmes, recados de um canto ao outro do planeta, computador a computador. (Leia Mais)

Quarta, 20 de Junho de 2007 às 20:00, por: CdB

O eMule, ou mula cibernética, se preferirem, é um achado. Nem tanto pelas facilidades de buscar e levar músicas, filmes, recados de um canto ao outro do planeta, computador a computador, num processo chamado peer to peer (P2P). O princípio sim, este é o ponto a ser observado com uma lupa. O eMule trabalha com as redes de servidores eDonkey (ou burros virtuais, como são registrados). Trata-se de um software que busca arquivos em várias partes do mundo, conserta rapidamente qualquer imperfeição e aplica um sistema de créditos para premiar os usuários que fazem mais uploads. Aqueles que mandam mais arquivos para serem compartilhados por mais pessoas também acessam graduações mais altas, que lhes permitem baixar um número maior de músicas, filmes, séries inteiras de TV, produções realizadas em qualquer parte da Terra onde haja um computador ligado na internet. De graça.

Com o eMule, presume-se, quem gravou um DVD da série Heroes, ou 24 horas, ou House, entre as norte-americanas, ou Avassaladoras, A Pedra do Reino, em cartaz, ou tantas outras, produzidas à base de alguns milhões de dólares, libras, ienes, reais, ou sejá lá qual for a moeda, em questão de minutos, disponibiliza este conteúdo para milhões de pessoas, enquanto tem acesso a milhões arquivos, publicados por outros internautas, em menos tempo ainda. Em medida semelhante àquela em que cresce o número de usuários da web conectados ao eMule, aumenta o número de pessoas ligadas à rede mundial de computadores. E ela está, inexoravelmente, levando a vida do ser humano a níveis impressionantes de acessibilidade e conhecimento. A fórmula é explosiva para os capitalistas e o nirvana para os comunistas que ainda restam neste planeta.

A tese em que o eMule se apóia era tudo o que o velho barbudo, ou Karl Marx, para os formais, pregava, ainda na Inglaterra friorenta e úmida, sem nem sonhar que existiriam computadores ou coisa parecida. Nem sequer se imaginava o telefone, naquela época, ou havia surgido alguma pista de que o socialismo, circunscrito às fronteiras, às travas nacionalistas, é simplesmente impossível de existir. Somente poderá haver a verdadeira divisão total e plena de todos os bens produzidos pela humanidade se, e somente se, a humanidade disponibilizar tudo o que produz para todos os habitantes da Terra, exatamente para impedir o cataclismo anunciado. Não há como, na tese que inspira os comunistas modernos, os poetas eternos e os gênios que criaram essa mula eletrônica, habitante do cyberespaço, existirem países delimitados em mapas e coloridos passaportes, exércitos, idiomas, papéis-moeda ou qualquer distinção outra entre os seres humanos senão a sensibilidade, a inteligência e a fraternidade.

Em pouquíssimo tempo - uma década ou algo assim - a internet e agradáveis invenções como o eMule têm mostrado o caminho do futuro para um número dos tais formadores de opinião que cresce em proporções geométricas. O recado é que não há solução para essa existência se não se aprender a compartilhar, e ráp

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