Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Os avisos da semana

Por Mauro Santayana - A invasão do Congresso pelo MLST, e o apoio dado por muitos leitores de jornais ao quebra-quebra, não é fato novo em nossa história. Quando o Parlamento deixa de legislar em favor do bem comum, e passa a defender um setor privilegiado da sociedade, o povo costuma rebelar-se contra o poder legislativo. (Leia Mais)

Terça, 13 de Junho de 2006 às 07:47, por: CdB

Como uma emoção costuma esmaecer a outra, a Copa do Mundo irá cobrir a sensação desagradável trazida pela invasão do edifício do Congresso pelos integrantes do MLST. Os que, por dever de ofício, devem meditar o que houve, entendem que o episódio foi gravíssimo, e ainda mais espantosa se revelou a reação da opinião pública. Enquanto os meios de comunicação se aproveitavam do incidente para a ferocidade da pregação da direita, os leitores de jornais quase aplaudiam o quebra-quebra.

A Câmara dos Deputados, com os sucessivos escândalos que a denigrem, sobretudo na atual legislatura, deixou de merecer o respeito geral da população. Salvam-se, desse juízo negativo, algumas pessoas que se destacam pela probidade com que exercem o mandato, e que são facilmente identificáveis. Dentro desse quadro, se, em lugar dos trabalhadores sem terra, a invasão tivesse sido de outros setores da sociedade, é provável que ela fosse abertamente elogiada pelo povo - e pelos meios de comunicação.

A História sempre registrou episódios semelhantes. Quando o Parlamento deixa de legislar em favor do bem comum, e passa a defender os interesses pessoais de seus membros, ou de um setor privilegiado da sociedade, o povo costuma rebelar-se contra o poder legislativo. Essas manifestações são raras: na maioria das vezes, os manifestantes procuram defender seus representantes contra os abusos da força. O parlamento é, tradicionalmente, um poder desarmado. Em raras ocasiões, como ocorreu na Inglaterra do século 17, os parlamentares organizam e armam as próprias milícias.

Mas não só a corrupção de parlamentares desgasta a instituição, embora ela seja a que mais repugna aos homens honrados. Falta, à maioria dos parlamentares - tanto na Câmara, quanto no Senado - as noções básicas do que sejam as instituições políticas. Não obstante a riqueza do acervo documental das duas casas do Congresso, raras vezes os parlamentares deles se valem. As duas bibliotecas dispõem das mais importantes obras clássicas sobre filosofia social e história da prática política, sobretudo no que se refere ao passado nacional - mas, à parte o interesse específico de alguns (e não são muitos) assessores parlamentares, em buscas pontuais, os livros do Congresso só têm servido aos pesquisadores de fora.

É certo que a representação política não exige - nem pode exigir - títulos acadêmicos. Os parlamentares devem ter bom senso, mas se houver um pouco de conhecimento histórico e de noções da lógica, será melhor. Infelizmente, a imensa maioria dos parlamentares não sabe exatamente por que e para o quê foram eleitos. Não conhecem a natureza e a necessidade da instituição parlamentar. Raramente identificam os seus deveres e localizam seus limites. Quando são, pelo menos, honrados, passam a defender a realização de obras públicas em suas regiões eleitorais, como se fossem simples vereadores.

No mais, votam de acordo com as circunstâncias do momento, influenciados pelos parlamentares mais articulados, ou atendem aos lobistas, em troca de favores ou, simplesmente, pela simpatia que esses agentes lhes inspirem. Em outros casos, são conscientemente corruptos, e vendem seu voto por dinheiro vivo, como fizeram os convencidos pelo Sr. Sérgio Motta, a aprovar a emenda da reeleição. É do mesmo Sérgio Motta a observação de que as negociações com alguns parlamentares só podiam ser realizadas em saunas - onde, como se sabe, todos estão nus e não carregam gravadores.

Uma das causas para essa deterioração do parlamento está no esvaziamento do poder político municipal. Durante o governo militar, os melhores homens desertaram da atividade política, deixando-a aos aventureiros - geralmente pequenos empresários falidos e figuras populares. Não houve aquela lenta e segura formação política da experiência, a partir das câmaras de vereadores. Quase todos os grandes homens públicos do passado ali iniciavam a sua carreira.

Ao examinar a biografia desses políticos (e o caso de Ta

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