Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Orlando Silva descarta risco com preocupação do Confea de que RDC pode abrir brecha para corrupção

Terça, 21 de Junho de 2011 às 09:39, por: CdB

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O ministro do Esporte, Orlando Silva, voltou a defender a aprovação das mudanças no texto da Medida Provisória (MP) 527, que cria o regime diferenciado de contratações públicas (RDC) para as obras da Copa do Mundo de 2014 e outros eventos esportivos. Ele apresentou os argumentos do governo para a criação do novo regime ao participar hoje (21) de audiência pública realizada pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), para o acompanhamento das ações visando à preparação do Mundial.

Depois de ouvir o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, declarar que a aprovação do RDC gera preocupação porque pode facilitar a corrupção, o ministro respondeu que o governo está disposto a debater o projeto e que a polêmica que tem ocorrido sobre o tema é “baseada em premissas falsas”.

“Não interessa ao Brasil ocultar qual é o conteúdo efetivo da proposta. Hoje, existe um debate baseado em premissas falsas. Quem ler a proposta vai saber que há, sim, compromisso [do governo] com a máxima transparência”, afirmou. Segundo o ministro, a maneira como a proposta vem sendo discutida interessa à oposição, “que quer obstruir o trabalho de preparação do país porque haverá um bom resultado em 2014”.

Para o presidente do Confea, no entanto, as alterações na MP aprovadas pela Câmara dos Deputados geram três grandes preocupações. A primeira diz respeito à contratação integrada que, segundo Melo, “permite a contratação da execução do empreendimento com a contratação de projeto básico e também do projeto executivo”. “Esse regime de contratação integrada, do ponto de vista técnico, pode levar a um resultado indesejado e, mais do que isso, abrir brechas para um processo que queremos combater: a corrupção”, afirmou Melo.

As outras duas preocupações manifestadas por Melo dizem respeito à proposta de manutenção do sigilo no orçamento das obras para a Copa do Mundo e a de se realizar pregões eletrônicos nos processos de licitação.

Orlando Silva disse que vai procurar o presidente do Senado, José Sarney, para esclarecer a proposta. Ontem (20), Sarney manifestou que o Senado deverá fazer mudanças no projeto, destacando que é contrário a qualquer mecanismo que estabeleça sigilo ao processo de contratação pelo governo.

Para o ministro, a aprovação da medida pelo Senado também poderá beneficiar obras que não estão previstas nos eventos esportivos. “Tenho convicção de que as medidas que foram apresentadas no projeto podem inspirar a modernização da legislação brasileira permanentemente”, disse. Silva destacou que os órgãos públicos responsáveis pela fiscalização, tais como o Ministério Público e os tribunais de Contas, vão ter acesso a todos esses dados.

Edição: Lana Cristina
 

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