Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

Organizadores de <i>rave</i> em Niterói são indiciados

Quinta, 14 de Dezembro de 2006 às 15:48, por: CdB

Os processos de indiciamento dois dois organizadores da festa rave que aconteceu no dia 25 de novembro, em Jurujuba, Niterói, Grande Rio, serão encaminhados nesta quinta-feira ao Ministério Público. A festa durou cerca de 20 horas. Na ocasião, 45 pessoas foram atendidas por abuso de álcool e drogas. Três pessoas foram internadas com overdose no Hospital Antonio Pedro, em Niterói, Grande Rio. O caso mais grave foi de um fisioterapeuta que ficou hospitalizado durante semanas.

A Polícia ouviu cerca de dez pessoas entre freqüentadores e os organizadores e concluiu que os promotores da festa cometeram três crimes: dois previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e outro no Código Penal. As punições vão desde o pagamento de multa de três a 20 salários mínimos até a prisão que pode variar de dois a quatro anos.

Os dois sócios da empresa organizadora da festa, Claudio Marcelo da Silva de Souza e Gustavo Henrique Villar Pintas, foram indiciados pela Polícia no artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente que considera crime "vender, fornecer, ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica".

Os produtores também foram indiciados por infração do artigo 258 do Estatuto da Criança e o Adolescente que fala sobre "o acesso de criança ou adolescente aos locais de diversão". De acordo com o relatório entregue à Justiça, o local da festa, além de não possuir autorização das polícias, condição exigida por decreto, também não tinha alvará da Vara de Infância e Juventude. A festa eletrônica teria reunido, segundo a PM, nove mil pessoas e ocorreu numa propriedade particular na praia de Jurujuba, num local conhecido como Pontal.

A Polícia Militar diz que não concedeu a liberação para uma reunião pública pois, em eventos anteriores, houve ocorrência de batida de carro, brigas e consumo de drogas.

O delegado Luiz Marcelo Fontoura Xavier, chefe do Serviço de Repressão a Entorpecentes de Niterói (SRE-Niterói), afirma que, para evitar o prejuízo financeiro, os organizadores assumiram o risco e realizaram o evento sem as condições necessárias de segurança. O documento também reproduz trechos dos depoimentos de adolescentes que contaram que menores entraram com facilidade na festa, que não havia controle sobre a venda de bebidas alcoólicas e que houve tráfico de drogas na rave.

Os advogados dos representantes da festa vão ao Serviço de Repressão ao Entorpecente de Niterói, na tarde de quinta-feira.

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