Por Ricardo Galhardo, iG São Paulo 22/05/2011 às 15:04
Neste sábado, manifestação foi reprimida pela Polícia Militar e houve confusão por ruas da capital paulista
a assessoria de imprensa da PM ainda não respondeu quais foram os motivos da ação violenta, já que existia um acordo.
Os organizadores da Marcha da Maconha planejam fazer uma manifestação pela paz no próximo sábado na avenida Paulista, em São Paulo. Neste sábado, a Polícia Militar reprimiu com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha a manifestação depois de fechar um acordo com os organizadores, pelo qual a marcha, proibida pela Justiça, seria liberada desde que trocasse a maconha pela liberdade de expressão e as referências à droga fossem ocultadas. Veja abaixo imagens do protesto:
http://tvig.ig.com.br/id/8a4980262fc651e401301442cdf71abf.html
Segundo a estudante Gabriela Moncau, integrante do coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR), os organizadores da marcha vão se reunir no vão livre do Masp às 19h de quarta-feira para definir os próximos passos do movimento.
?A proposta é fazermos uma marcha pela paz e contra a violência policial saindo do Masp às 14h de sábado?, disse ela.
A Marcha da Maconha em São Paulo foi proibida pelo quarto ano consecutivo por ordem da Justiça. O desembargador Teodomiro Mendes, do Tribunal de Justiça de São Paulo, deferiu uma liminar a pedido do Ministério Público alegando que a marcha seria apenas um pretexto para o uso público de entorpecentes.
Os manifestantes decidiram então trocar o lema ?maconha? por ?liberdade de expressão? e encobrir com fita isolante as referências à erva. A PM aceitou o acordo mas pouco depois atacou os manifestantes.
As bombas atingiram motoristas que trafegavam na pista contrária à manifestação, alguns com crianças à bordo, jornalistas que cobriam o evento e pessoas que andavam pela calçada.
Acionada pelo iG às 17h30 de sábado, a assessoria de imprensa da PM ainda não respondeu quais foram os motivos da ação violenta, já que existia um acordo. Em conversar extra-oficiais, fontes da Secretaria de Segurança Pública disseram que os manifestantes teriam descumprido o acordo.
O advogado da marcha, Raul Ferreira, disse que a PM rompeu o trato. ?Respeitamos o acordo e encobrimos todas as referências à maconha. A PM não fez a parte dela e quebrou o acordo de maneira inconcebível em uma democracia?, afirmou.
Embora vários manifestantes tenham deixado a marcha com hematomas e ferimentos leves, nem todos reclamaram da violência policial. Em uma reunião improvisada com cerca de 20 remanescentes da marcha em um canteiro da rua da Consolação, no Centro, o sociólogo carioca Renato Cinco, que foi candidato a deputado federal pelo Psol em 2010, comemorou a violência.
?A repressão policial é benéfica à nossa causa. Isso que aconteceu hoje (sábado) certamente terá repercussão nacional e internacional?, disse ele.