Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Organizações sociais pedem justiça para assassinato de ambientalista em Cabañas

Terça, 28 de Junho de 2011 às 12:51, por: CdB

Justiça. Essa é a principal demanda de organizações sociais salvadorenhas ante o assassinato de Juan Francisco Duran Ayala, jovem ambientalista encontrado morto no dia 14 deste mês, após 11 dias de desaparecido. Na sexta-feira passada (24), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o assassinato do ativista social e solicitou ao Estado salvadorenho a investigação e a sanção dos responsáveis pelo crime.

A Associação de Profissionais e Técnicos da Universidade de El Salvador (APTUES) expressou, ontem (27), através de um comunicado, "seu total repúdio ao assassinato” de Juan Ayala. A Associação fez coro ao pedido de justiça e ao chamado de solidariedade já manifestado dias antes por outras organizações, como: Fundação de Estudos para a Aplicação do Direito (Fespad), Front Line e Associação do Comitê Ambiental de Cabañas em Defesa da Água e da Cultura (CAC).

"Consideramos que a Promotoria e a PNC [Polícia Nacional Civil] têm a obrigação de levar ante a justiça os assassinos deste jovem lutador social, pelo que exigimos juízo e castigo para os responsáveis deste execrável crime que, ademais de cobrir de luto outra família salvadorenha, vem chamar nossa atenção sobre o que está acontecendo em Cabañas”, demandou APTUES.

Juan Ayala tinha 30 anos, cursava Licenciatura em Idiomas, e trabalhava como voluntário no CAC. Informações das entidades revelam que o rapaz desapareceu em 3 de junho, um dia após a distribuição de cartazes contra a exploração mineira no departamento de Cabañas, em El Salvador. No dia 14 deste mês, o corpo de Ayala foi encontrado em uma fossa comum na Colônia Lamatepec, município de Soyapango, com dois tiros na cabeça.

O jovem não foi o primeiro ambientalista assassinado na região. Marcelo Moreno, integrante da Associação Amigos de San Isidro Cabañas (Asic), e Ramiro Gómez e Dora Sorto, membros do CAC, foram encontrados mortos em 2009. Em comum, a luta em defesa do meio ambiente e contra a exploração mineira no departamento de Cabañas.

Os ativistas sociais eram contra Pacific Rim, empresa canadense que tenta reabrir a mina de El Dorado, em Cabañas. A transnacional mineira havia conseguido permissão para explorar a área em 2002. Em 2008, devido à pressão da população local, o governo salvadorenho proibiu a empresa de explorar a mina. Em resposta, Pacific Rim abriu um processo contra o governo de El Salvador por violar o Tratado de Livre Comércio entre América Central, República Dominicana e Estados Unidos (Cafta).

CIDH

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também não deixou passar em branco o assassinato de Ayala. Na sexta-feira (24), o organismo condenou o delito cometido contra o jovem ambientalista salvadorenho e pediu ao governo de El Salvador que esclareça o caso.

"A CIDH recorda que é obrigação do Estado investigar oficialmente os fatos desta natureza e sancionar os responsáveis. Assim mesmo, a Comissão pede ao Estado de El Salvador adotar de forma imediata e urgente todas as medidas necessárias a fim de garantir o direito à vida, à integridade e à segurança das defensoras e dos defensores do direito ao meio ambiente no país”, apresentou.

Com informações de El Faro

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