Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Organizações sociais alertam para situação de crianças com HIV/Aids no país

Sexta, 19 de Agosto de 2011 às 12:20, por: CdB

Maiorarticulação na política de Estado para crianças e adolescentes afetados peloHIV/Aids. Esse é o pedido que Organizações Não Governamentais (ONGs) fazem parao Governo da Nicarágua. Além de enfrentar a discriminação, as crianças com o vírusainda sofrem com a falta de acesso aos tratamentos e, muitas vezes, a perda dopai e da mãe.

Apesarde não existir dados oficiais do Ministério da Saúde sobre a quantidade decrianças e adolescentes com HIV/Aids no país, informações do Instituto Nacionalde Seguridade Social (INSS) revelam que há pelo menos 278 meninos e meninasórfãos por causa da enfermidade na Nicarágua. Desses, 52 possuem o vírus e 43têm acesso ao tratamento médico.

Acifra de crianças afetadas pela enfermidade, entretanto, pode ser bem maior. Segundoinformações da Agência Latino-Americana de Comunicação (ALC), a diretora daAssociação de Pessoas que Convivem com HIV/Aids, Arley Cano, estima que existammais de 600 meninas e meninos que sofram com as consequências do HIV, sejaporque possuem o vírus ou porque perderam familiares para a enfermidade.

Asconsequências para essas crianças também não se resumem à morte dos pais. Deacordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), as criançasainda enfrentam a discriminação e são mais vulneráveis ao abandono escolar e aoabuso e exploração de outras pessoas. Para as que possuem o vírus, o acesso aotratamento é mais complicado e a chance de abandoná-lo é mais alta. "Estes sãofilhos que vivem vulneráveis à violência, à exploração sexual ou laboral”,destacou Arley Cano.

Osrepresentantes de organizações sociais apontam que a questão não está naausência de um plano nacional sobre HIV no país, mas sim na falta dearticulação de como tratar do problema de maneira específica com crianças eadolescentes.

"Temosum plano nacional contra HIV-Aids. Temos uma estratégia nacional, uma políticade proteção especial para a infância e a adolescência. O que passa é que aindacom todo esse instrumento político, há uma total desarticulação em relação àforma como atender à infância e à adolescência com HIV”, comentou CándidaSequeira, coordenadora do Programa de Promoção de Enfoque de Direitos Humanosna ONG Dos Generaciones, a El Nuevo Diario.

HIV na Nicarágua

Nicaráguaenfrenta uma mudança de perfil das pessoas afetadas com HIV/Aids. Informaçõesdo Unicef revelam um aumento do número de casos de crianças e adolescentes comHIV/Aids no país. Segundo a organização, 5,6% dos novos casos registrados noano de 2006 foram referentes a crianças entre zero e 14 anos. Porcentagem aindamaior entre os/as adolescentes de 15 a 19 anos: 6,8%.

Onúmero total de novas infecções também cresce no país. Enquanto entre 1993 e1999, Nicarágua registrava uma média anual de 22 novos casos, entre os anos de2000 e 2004, o número subiu para 131 casos por ano. Atualmente, a média é deduas novas infecções por dia no país.
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