Um país livre de mineração. Isso é o que as comunidades afetadas por projetos mineiros no Equador desejam. Moradores de Molleturo, na província de Azuay, seguem mobilizados contra a transnacional mineira International Mineral Corporation (IMC) e seu projeto de exploração de ouro na região, denominado projeto Río Blanco. Para discutir sobre o assunto, organizações sociais realizarão, neste domingo (18), uma Assembleia Popular Ambiental. O debate acontecerá às 9h30 no Parque Central de Molleturo.
Convocada pela Coordenação Popular em Defesa de Molleturo, Frente de Mulheres Defensoras da Pachamama, Coordenação Nacional pela Defesa da Vida e da Soberania (CNDVS) e pela Comuna San Felipe de Molleturo, a Assembleia discutirá sobre a situação atual do conflito com a empresa IMC e definirá a postura da comunidade diante do projeto Río Blanco.
Além disso, os participantes terão a oportunidade de debater sobre o direito à informação e à Consulta Prévia com um delegado da Direção Nacional de Proteção dos Direitos Humanos e da Natureza da Defensoria do Povo Nacional e sobre a realidade da mineração na Colômbia com a jornalista da Rádio Nizkar, Claudia Julieta Duque.
A profissional de comunicação colombiana ainda participará de uma conversa sobre jornalistas defensores de direitos humanos e meios de comunicação como apoiadores na proteção dos/as defensores/as de direitos. A atividade está marcada para acontecer na manhã da próxima segunda-feira (19) na sede da Frente de Mulheres Defensoras da Pachamama.
Críticas ao projeto mineiro
A comunidade de Molleturo rechaça o projeto mineiro Río Blanco e ainda questiona a falta de Consulta Prévia. Na última quarta-feira (14), organizações sociais realizaram uma coletiva de imprensa para divulgar a petição enviada à Direção Nacional de Proteção dos Direitos Humanos e da Natureza da Defensoria do Povo. No documento, as entidades destacaram o desrespeito cometido pelo Ministério de Minas e Petróleos, o qual não aplicou o Mandato Mineiro - emitido pela Assembleia Nacional Constituinte em 2008 – no caso das concessões à IMC.
"Alguma instituição no país deve fazer algo diante deste desacato. São fundamentais os direitos que estão violando e outros que estão colocando em risco ao pretender desenvolver este megaprojeto de ouro em área de Amortecimento de zona úmida de importância mundial como é El Cajas, reconhecida pela convenção Ramsar, e ademais onde nascem vários rios como Migüir, Chorro, Canoas, Chacayacu e Río Blanco, que formam as sub-bacias dos rios Cañar, Naranjal e Balao, as quais abastecem de água, para o consumo humano e para os trabalhos agrícolas, extensas zonas da parte costeira da província de Azuay e comunidades de Guayas e El Oro”, afirmou Lina Solano, da CNDVS, durante a coletiva.
Projeto Río Blanco
Em declarações à imprensa, realizadas na semana passada, Wilson Pástor Morris, ministro de Recursos Naturais Não-Renováveis, afirmou que os processos de exploração mineira estão de acordo com as leis. Segundo ele, a expectativa é processar 605 mil onças de ouro e 4.307 mil onças de prata com o projeto mineiro Río Blanco, que tem entre sete e oito anos de execução.