"Morrerão os comunistas dissimulados deFarc, Nomadesc, CUT, Ecate, Sintraunicol, PCN, índios cachorros, Movice, presospolíticos. Águias negras nova geração, três dias em uma aliança paraexterminá-los”. Esta é a mais recente ameaça de morte, enviada no último dia 23por grupos paramilitares a telefones celulares de dois ativistas de direitoshumanos do departamento de Valle del Cauca, na Colômbia.
Em denúncia pública, as organizaçõesafirmam que a situação persiste desde o ano passado. "[Asmensagens] têm vindo de maneira constante, apontando e estigmatizando otrabalho dos defensores e defensoras de Direitos Humanos”, afirmam.
Entre os ameaçados estão membros daFundação Comitê de Solidariedade com os Presos Políticos (CSPP), do Movimentode Vítimas de Crimes de Estado (Movice), Associação para a Investigação e AçãoSocial Nomadesc, Sindicato Nacional de Trabalhadores e EmpregadosUniversitários da Colômbia (Sintraunicol) e a Central Unitária de Trabalhadoresda Colômbia (CUT).
No contexto do conflito armado interno,que já dura cinco décadas, a Colômbia tornou-se o país mais perigoso paraativistas sociais, sindicalistas e até ambientalistas. Os militantes têm umaprova do perigo que correm no desaparecimento da ambientalista Sandra Cuellar,ocorrido em 17 de fevereiro deste ano, na cidade de Cali, capital de Valle delCauca.
As organizações sociais revelam que já entraram emcontato com o Departamento Administrativo de Segurança (DAS), com a PolíciaNacional, Promotoria e outros órgãos, mas nada foi resolvido.
"Foram entregues os números a partir de onde asmensagens foram enviadas, sem que, aparentemente este dado que para nós éimportante, tenha tido maior relevância para as autoridades, que em reuniõescom as organizações sociais e de direitos humanos têm manifestado celeridadenas investigações, mas não resultados eficazes para encontrar os autoresmateriais e intelectuais destas”, contam.
No dia 5 de maio de 2010,uma mensagem ameaçava e citava o nome de várias lideranças dos municípios deSuárez e Buenos Aires, pertencentes ao Conselho Comunitário La Toma, aoProcesso de Comunidades Negras da Colômbia (PCN), ao Conselho Regional Indígenado Cauca (CRIC), à organização Nomadesc, à Minga de Resistência Social eComunitária e a sindicalistas.
Semanas depois, em umaquinta-feira, outra ameaça foi mais longe. Os grupos paramilitares chegaram aligar para a linha de emergência do município de Tuluá e deram um ultimato."Venho alertar que até a segunda-feira tem prazo para sair da região, há ordempara matar Luz Marina e John Freddy de Ecate (Associação para o Desenvolvimento Social Integral), Berenice Leytade Nomadesc, e os do Comitê de Solidariedade com os Presos Políticos”, afirmoua voz, que se identificou como soldado profissional.
A partir da denúnciapública, as organizações pedem proteção e justiça. Solicitam que sejam tomadasprovidências para proteger a vida dos militantes ameaçados e que asinvestigações sejam de fato iniciadas. Também exigem resposta do Estadocolombiano para prevenir agressão aos ativistas, respeitando direitosfundamentais presentes na constituição do país.
Apesar do risco quecorrem, os defensores de direitos humanos desenvolvem um importante trabalho naColômbia, país onde muitas comunidades sofrem deslocamentos forçados, onde hánúmero absurdo de desaparições forçadas (somente nos últimos três anos foram maisde 38.200), assassinatos, violência sexual e recrutamento forçado de crianças eadolescentes para grupos paramilitares e guerrilheiros.
Segundo relatório do ProgramaNão Governamental de Proteção a Defensores de Direitos Humanos – SomosDefensores, em 2010, 174 ativistas de direitos humanos sofreram agressões.
Asmatérias sobre Direitos Humanos são produzidas com o apoio da PrefeituraMunicipal de Fortaleza.