Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Organização humanitária pede às Farc e ao ELN abertura ao diálogo e respeito aos direitos humanos

Segunda, 18 de Julho de 2011 às 12:54, por: CdB

Emcarta divulgada hoje (18), a organização humanitária ‘Colombianas e Colombianospela Paz’ propôs às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e aoExército de Liberação Nacional (ELN)"reiniciar de imediato e de forma fluida por meio do intercâmbio epistolar, adiscussão sobre diversas temáticas de transcendência nacional”, como forma dedirimir o conflito armado que se arrasta há décadas na Colômbia.

Apublicação da mensagem foi motivada por graves violações aos direitos humanosno país. "Circunstâncias produzidas em consequência do conflito armado geramprofundos questionamentos sobre o presente e o futuro que se nos avizinha e nosobrigam a realizar um chamado ético sobre infrações cometidas ao direitohumanitário e sobre a necessidade de proteger os direitos fundamentais dapopulação civil”, afirmam.

Osativistas chamam a atenção para as declarações do Escritório da Alta Comissãodas Nações Unidas para os Direitos Humanos, que recentemente denunciou açõesbélicas, por parte dos guerrilheiros, em que foram cometidas sérias violaçõesaos direitos humanos.

Frentea isso, Colombianas e Colombianos pela Paz solicita aos guerrilheiros aaplicação, urgente, do direito humanitário, por meio do estabelecimento denormas e mecanismos específicos de regulação ou limitação bélica "para impedirque ocorram novos fatos violatórios e se degrade ainda mais o conflito,rechaçando e condenando claramente todas as práticas inadmissíveis, contráriasaos mais elementares princípios humanitários”.

Alémdo mais, pedem para ratificar o pacto que as duas organizações guerrilheiras firmaramno final do ano de 2009 para abolir ações que atinjam comunidades dodepartamento de Arauca. A carta sugere a expansão desse acordo para toda aColômbia.

Porfim, convocam os guerrilheiros a demonstrar que é possível ter esperança de"não apenas humanizar a guerra, senão alcançar uma interlocução para avançar emsua superação definitiva”.

Colombianas e Colombianos pela Paz expressou ainda "esperança” com as recentesdeclarações dos grupos guerrilheiros, em que se mostraram dispostos a dialogarsobre uma agenda nacional relativa aos principais problemas sociais (terras,políticas econômicas, sociais e ambientais, direitos políticos e civis etc);valorizar cenários de diálogo "para construir uma saída política”, como aUnasul (União das Nações Sul- Americanas); e respeitar os princípios do DireitoInternacional Humanitário.

"Desejamos que por meio desse diálogo epistolar se debatam e assumam decisõesconjuntas, respostas e iniciativas que o país necessita e demanda, com aesperança de que estejamos à altura dos desafios que sua dura realidade ehistória nos põem no presente; e que tantos esforços e sacrifícios pela vidadigna das colombianas e colombianos tenham sentido hoje e para as gerações dofuturo”, arrematam.

Sobre a organização

Colombianase Colombianos pela Paz atua em negociações com as Farc para obter liberações dedetidos, tendo conseguido dezenas delas desde janeiro de 2008.

Noúltimo dia 13, segundo informações da TeleSul, a ativista Piedad Córdoba Ruiz,que encabeça a organização, anunciou para o dia 3 de agosto uma provável novaliberação por parte das Forças Armadas Revolucionárias.
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