Por Gerhard Grube 16/07/2011 às 01:42
O patriotismo é exaltado em algumas ocasiões, futebol, jogos olímpicos, nas paradas militares, e mais nada. Hino Nacional, Bandeira, verde amarelo azul e branco.
No entanto, território, povo, cultura, recursos minerais, biodiversidade, segurança, riquezas etc. não fazem parte de nossa pátria. Nada tem a ver com patriotismo. São assuntos internacionais, de livre mercado, nada que interesse ao Brasil. Nestes aspectos somos cosmopolitas, mais especificamente, estadunidenses. De alma e coração.
"A Ordem é necessária, para que haja Progresso". É o que diziam na escola quando eu era pequeno.
Como está se saindo este nosso país, na sua "ORDEM E PROGRESSO"?
Ordem para os pobres, e Progresso para os ricos!
A copa do mundo vem aí e as olimpíadas também. Vamos vibrar e torcer pelo Brasil. E todo esforço será feito para mostrar que somos um país ordeiro e progressista. Precisamos melhorar nossa imagem, tão denegrida mundialmente nos filmes e noticiários.
Precisamos higienizar as cidades, deixar uma boa impressão deste nosso vil quintal estadunidense. Varrer a sujeira (e os brasileiros pobres) para baixo do tapete.
Afinal o Primeiro Mundo vem nos visitar!
Não é suficiente que nos enterremos em dívidas, para uma criar infra-estrutura que beneficia praticamente apenas o Primeiro Mundo. Estradas, ferrovias e portos para escoamento de safras, carne e minérios, exportados a preço de banana. Hidrelétricas para processar minérios, cujo resultado é exportado a preço de banana. Isso é Progresso!
Mas não é suficiente.
Vamos nos enterrar em dívidas também para que o Primeiro Mundo possa vir aqui e ter o seu lazer de qualidade, futebol melhor do mundo, e apreciar sossegado as "fraternas" competições olímpicas. Isso é Progresso.
Não para o brasileiro, claro. Que não vai poder pagar os caríssimos ingressos.
Para tanto a Ordem precisa vigorar, para os pobres. É preciso que eles saiam do caminho. Fiquem longe de seus olhos os euros, dólares e ienes trazidos pelos turistas.
Vai ser nada fácil encurralar centenas de milhares em campos de concentração, para que não incomodem os turistas. Como fizeram na África do Sul, durante as olimpíadas de lá.
Vai ser difícil reprimir as passeatas e demonstrações dos milhões de rejeitados. Dos sem comida, sem teto, sem terra, sem emprego, sem saúde, sem salário e sem aposentadoria. Que certamente tentarão aproveitar a deixa, para ver se conseguem extorquir alguma coisa do governo.
A boa notícia é que ONGs nacionais e internacionais, todas elas, do Greenpeace ao GLBTXYZ, não vão ser nenhum problema nas festividades. Já faz tempo estão inseridas no sistema. Até com suas ações (em alta) sendo mercadejadas nas bolsas de valores. São empreendimentos lucrativos. E assim os movimentos sindicais.
Apóiam integralmente as festas cívicas futebolísticas e olímpicas. Patriotismo!
Vão ser erradicadas as invasões, desmantelados os barracos, aniquilados os moradores de rua. Terão que se escafeder os catadores e carrinheiros. Serão muralhadas as favelas com "barreiras acústicas" e "ecológicas", a exemplo de Israel e Estados Unidos. Os ambulantes serão escorraçados das ruas.
Tudo que estiver no caminho do turista, higienização radical. Precisamos convencer que somos um país Ordeiro e Progressista.
As otoridades nem imaginam a arma que deram nas mãos do crime organizado, anunciando a copa e olimpíadas no Brasil. É só imaginar "arrastões" ou uma fuga em massa das cadeias, e os turistas cancelando as viagens com medo de vir para cá.
Forçadamente (e debaixo do pano), vão ter que fazer um monte de concessões.
Ponho a mão no fogo, se (muito na surdina) as otoridades não entrarem em acordo com a bandidagem organizada neste país, para amenizar o roubo de carros, assaltos, tráfico de drogas, prostituição, assassinatos etc. Antes e durante, para não assustar os turistas.
Algo como: "Nós maneiramos bastante a barra. E vocês ficam na sua, nada de baderna".
Acordo de cavalheiros!
É claro que a mais recente modalidade de turismo vai existir: Visitas organizadas nas favelas. O turista adora coisas assim, para ter o que contar em casa depois.
Tudo bem estruturado, com prospectos, folhetos e "sight seeing tours". O turista quer ver crianças manipulando trêsoitão na Cidade de Deus, quer ver o capitão Nascimento da Tropa de Elite e os Fast Five em ação. Mas com conforto e segurança!
E também o já rotineiro e corriqueiro roteiro turístico pedofílico, também com toda segurança. Menos quanto às doenças sexualmente transmissíveis.
O Primeiro Mundo vai então voltar para casa dizendo: "Não imaginava o Brasil com tanta ORDEM E PROGRESSO".
É o que as otoridades brasileiras estão rezando para que aconteça. Se o PCC e o Comando Vermelho permitirem.