Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Orçamento: corte onde nunca poderia ser feito

Terça, 14 de Dezembro de 2010 às 09:20, por: CdB

Trágico, para dizer o mínimo - principalmente quando a Grande São Paulo volta a viver o drama das enchentes que piora o seu trânsito e transporte - o corte dos investimentos no orçamento/2011 no Estado, determinado pelos governos tucanos.

A redução resulta de acerto do governador atual, Alberto Goldman (PSDB), que envia a proposta orçamentária do próximo ano, com o futuro, Geraldo Alckmin (PSDB). O Estado, conforme revelou a Folha de S.Paulo no fim de semana, sofreu um dos mais perversos cortes do seu orçamento, porque em uma das áreas mais sensíveis que afeta, sobretudo, a capital paulista: os transportes. No orçamento estadual tucano de 2011, o investimento nessa área será 3,3% inferior ao deste ano.

É quase inacreditável, dado que o caos urbano é visível a olho nu, com o trânsito piorando com as chuvas, o metrô apresentando pane todas as semanas, e os serviços de ônibus e trens de subúrbio deixando a desejar. Para tentarmos compreender essa "lógica" tucana, entrevistamos o ex-secretário municipal de Transportes da Capital, deputado Carlos Zaratini (PT-SP). Acompanhem nossa conversa:

O que significa esse corte orçamentário, sobretudo, nos investimentos para a área de transportes?


O governo de São Paulo mostra mais uma vez total falta de planejamento. E tampouco capacidade para dar sequência a obras que realmente atendam às necessidades da população. Fizeram o Rodoanel, mas não organizaram o restante. Esta redução, portanto, significa cortes nos investimentos quando temos hoje necessidade deles no metrô e em rodovias. O próprio metrô que já tem mais de 40 anos - e apresenta cotidianamente problemas - precisa urgentemente de uma nova sinalização e de outras melhorias que permitam, sobretudo, aumentar o fluxo dos trens.

Mas, não foram prometidas novas linhas de metrô durante a campanha?


Zarattini: 
Eles programaram uma série de obras visando às eleições, como a Marginal, o Rodoanel, a Linha 4 do metrô, novas estações e também na CPTM (trens metropolitanos). Afinal, a previsão do ex-governador José Serra era ser presidente. O que vemos agora é uma sequência sem planejamento. A cada hora, eles mudam o projeto do metrô que já estava aguardando investimentos. Tratam-se, na realidade, de linhas que estão ainda no papel. Eles anunciaram até a linha 17... Inventaram, inclusive, o monotrilho que ninguém sabe sobre sua eficiência em termos de demanda de usuários. Em resumo, o que vemos em São Paulo é um festival de ideias e não de planejamento, medidas concretas ou o anúncio do que realmente se pretende fazer para sanar efetivamente o problema do transporte público.

O que podemos esperar agora?


Zarattini:  O PT vem denunciando essa questão. Mas, somos minoria na Assembléia Legislativa e precisamos de todo o apoio da população que, infelizmente, agora precisa aguardar uma outra possibilidade para a ampliação deste orçamento destinado a esta área tão sensível do nosso Estado.

 

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