Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Oprimidos e opressores

Por José Inácio Werneck - Israel foi criada como nação em 1947 como resposta à opressão secular que sofria em países europeus, culminando com o Holocausto perpetrado pelos nazistas. Hoje os oprimidos do passado são os opressores do presente.

Terça, 05 de Agosto de 2014 às 12:00, por: CdB
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Colunista enfatiza que os oprimidos de ontem se tornaram os opressores de hoje
Israel foi criada como nação em 1947 como resposta à opressão secular que sofria em países europeus, culminando com o Holocausto perpetrado pelos nazistas. Hoje os oprimidos do passado são os opressores do presente.É normal que um povo oprimido odeie seu opressor e Israel portanto não deveria estranhar o ódio que lhe devotam os palestinos em Gaza - uma faixa de 360 quilômetros quadrados onde se acotovelam dois milhões de pessoas, com Israel exercendo um cerco até pelo Mediterrâneo. Como comparação, a esparsamente povoada Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, tem uma área de 166 quilômetros quadrados. O direito de Israel á existência é inquestionável, embora se possa argumentar que sua insistência em ser um “Estado Judeu”, não simplesmente um “Estado Israelense” é incompatível com o desejo de ser considerada uma “democracia ocidental”, pois uma “democracia ocidental” não poderia consentir na existência de duas classes de cidadania - uma para os judeus e outra para os árabes e outras minorias religiosas vivendo no mesmo país. A filósofa judia Hannah Arendt, nascida na Alemanha e naturalizada americana, cunhou a expressão “banalidade do mal” ao cobrir o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalem, entre 1961 e 1962, para explicar como um país todo poderia ter sido indiferente, quando não cúmplice, no tratamente nazista dispensado aos judeus. Hoje, israelenses instalam-se em cadeiras de praia, nas colinas que dão vista para Gaza, para assistir ao bombardeio de seus militares sobre civis palestinos, entre eles mulheres e crianças. Onde a indignação? Oprimidos no passado, opressores hoje. A longo prazo, a política de governantes israelenses como Benjamin Netanyahu é contra-producente e provavelmente suicida, pois há uma única solução possível para a região: a criação de dois estados, um israelense e outro palestino, com devolução dos territórios ocupados, fronteiras seguras e a indenização (pois o repatriamento seria impossível) dos refugiados obrigados a deixar suas moradias quando da criação do Estado de Israel. Para tanto porém é preciso que Netanyahu e outros que lhe sucederem mostrem a intenção de negociar com os palestinos moderados. Em vez disto o que se vê é Israel expandir cada vez mais seus “assentamentos”. Se a política israelense continuar a ser apenas a de despachar Netanyahu para falar nos “talk-shows” das manhãs de domingo nas cadeias americanas de televisão e insistir em sua tecla de que “os palestinos são os culpados, se nós matamos crianças palestinas” poderá contar ainda com um segmento numeroso da população americana, embora não tão grande quanto no passado. No resto do mundo porém Israel está perdendo a batalha e nem os Estados Unidos poderão sustentá-la indefinidamente. José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive. Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins.
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