O líder opositor venezuelano Enrique Mendoza pediu nesta sexta-feira, "perdão" pelo fracasso da estratégia aplicada até agora pela Coordenadoria Democrática para derrubar Hugo Chávez da Presidência. "Perdão pelo que foi feito", disse Mendoza, governador do estado de Miranda, ao falar da recente e frustrada greve de 63 dias, com a qual a Coordenadora tentou forçar Chávez a renunciar do Governo, informou o canal de notícias Globovisión. Mendoza, que admitiu que "muitos dirigentes da Coordenadoria trataram de lavar as mãos depois da paralisação nacional", esclareceu que essa aliança das centrais patronal e sindical, partidos e associações civis de oposição "é um fórum que não deve terminar pagando pelos pratos quebrados". A greve geral promovida pela Coordenadoria, entre 2 de dezembro e 3 de fevereiro, afetou principalmente os setores produtivos e a vital indústria petroleira nacional. O Ministério das Finanças ressaltou que a paralisação gerou ao país mais de 7 bilhões de dólares em perdas. Além disso, anunciou um corte orçamentário de 4 bilhões de dólares este ano. O Ministério do Trabalho calculou em 30.000 os demitidos no setor privado entre dezembro e janeiro, ao passo que 16.000 dos cerca de 40.000 funcionários da indústria petroleira estatal foram despedidos pelo Executivo por aderirem à greve "ilegal, terrorista e golpista". Mendoza declarou que "entende a confusão" que reina entre os adversários do Governo pelo fato de "não terem sido alcançados os objetivos propostos (de tirar Chávez do poder)", mas rejeitou que isso justifique "ataques" entre os próprios setores opositores. "Peço aos opositores que não cuspam para o alto", declarou Mendoza a Globovisión. Após o término da greve geral, a Coordenadoria tenta reorganizar-se e recuperar sua unidade, bombardeada por graves desacordos sobre os caminhos a serem seguidos na tentativa de tirar Chávez do poder. Na semana passada, o "Bloco Democrático", classificado como um grupo opositor "radical", se separou da aliança depois de acusá-la de ter se vendido ao Governo. Isso, porque a Coordenadora aceitou um pré-acordo sobre a possível celebração de um referendo revogatório como saída eleitoral para o conflito que vive o país. Mendoza reiterou que a oposição deve se unir e trabalhar firmemente pelo referendo revogatório, um mecanismo constitucional que permite dar um fim antecipado ao mandato Executivo a partir de sua, o que, no caso de Chávez, acontecerá em 19 de agosto. Governo e oposição tentam chegar a uma saída eleitoral para a crise desde 8 de novembro, na "mesa de negociação e acordos", mediada pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria.
Opositor pede perdão pelo fracasso de estratégia contra Chávez
Sexta, 18 de Abril de 2003 às 12:20, por: CdB