Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Oposicionistas do PMDB vencem governistas e garantem convenção

Quarta, 08 de Dezembro de 2004 às 17:51, por: CdB

Os oposicionistas do PMDB venceram a disputa desta quarta-feira e garantiram a realização da convenção do partido no próximo domingo, apesar da tentativa dos governistas de adiarem o encontro.

A convenção, que vai decidir se o partido abandona a base de sustentação do governo e entrega os dois ministérios que ocupa, foi garantida por meio de uma manobra estatutária. A convenção decidirá também se o partido terá candidato próprio à Presidência em 2006.

"Obedeci a regra do estatuto de que, quando os diretórios convocam a convenção, tenho que aceitar", disse a jornalistas o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), um dos principais defensores do rompimento com o governo.

Da ala oposta, o líder da bancada no Senado, Renan Calheiros (AL), afirmou que seu grupo vai boicotar a convenção, porque a divisão do partido é "um tiro no pé".

"Nós não vamos participar desta convenção porque esta convenção divide o PMDB irreversivelmente, nós temos é que trabalhar para unificar", disse o senador, para quem "não há sobre a mesa ainda uma proposta que una o partido".

Renan e o líder do partido na Câmara, José Borba (PR), divulgaram documento afirmando que são contrários à convenção de domingo e às decisões da Executiva. Também afirmam que a decisão da convenção será "inócua e não alterará o quadro político". Os parlamentares têm o apoio de 46 dos 76 deputados do partido e de 20 dos 22 senadores.

Inicialmente convocada pela Executiva, então liderada pelos que defendem o afastamento do governo, a convenção também havia sido requerida por 11 diretórios estaduais. Esta segunda convocação está mantida.

Já a Executiva, reconvocada para esta manhã pelos chamados governistas, decidiu, após quase quatro horas de reunião e discussões acaloradas, remarcar a convenção para 2 de março.

Também ficou decidido que, se os ministros da legenda (Previdência e Comunicações) e dirigentes de estatais entregarem os cargos em 48 horas (até sexta-feira) haverá apenas o encontro de março. A entrega, no entanto, é considerada remota por integrantes da legenda.

"O ótimo não é inimigo do bom", comentou ao final da reunião Orestes Quércia, presidente do diretório paulista do PMDB e um dos principais defensores, ao lado de Temer, da saída da base de apoio do governo.

Quércia, ex-governador de SP, explicou que o ideal seria a realização da convenção convocada pela Executiva, mas se satisfaz com o chamado dos diretórios. O registro do edital da convocação pelos diretórios foi feito na semana passada, quando este grupo já percebia a movimentação dos aliados.

Os favoráveis à permanência da legenda com o governo conseguiram a convocação da Executiva para esta quarta-feira, quando o resultado ficou em 9 votos a 8 para a proposta que prevê a entrega dos cargos no governo em 48 horas e adiamento da convenção para março.

A alegação é que neste período o partido iria discutir com as bases o posicionamento frente ao governo.

Temer afirmou que se a convenção decidir pelo apoio ao governo, irá no dia seguinte propor uma aliança político-eleitoral para a "eventual" reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Especula-se também que os adversários do governo sofreram fortes pressões por parte do presidente Lula e do ministro Antonio Palocci (Fazenda) nos últimos dias.

Mas o deputado voltou a garantir que, mesmo que a convenção decida pelo afastamento do governo, com entrega de cargos, o partido continuará apoiando projetos do Executivo no Congresso.

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