Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Oposição volta a pressionar Blair por guerra no Iraque

Quinta, 24 de Março de 2005 às 11:24, por: CdB

O governo britânico viu-se na quinta-feira sob nova pressão por seu envolvimento na guerra no Iraque, quando os opositores descobriram uma maneira de deixar o premiê Tony Blair em posição embaraçosa semanas antes das possíveis eleições.

Líderes da oposição e integrantes do próprio partido de Blair, o Trabalhista, exigiram que o governo explique por que seu principal jurista mudou de idéia sobre a legalidade da guerra de 2003 que derrubou Saddam Hussein.

O ataque à credibilidade de Blair começou por causa de algumas linhas da carta de demissão escrita pela ex-vice-assessora legal do Ministério das Relações Exteriores, Elizabeth Wilmshurst. Ela deixou o cargo alguns dias antes do início da guerra, alegando que a invasão não tinha base legal.

A carta foi publicada pelo ministério na quarta-feira, mas várias linhas foram omitidas. A emissora Channel 4 News teve acesso às linhas que faltavam e as divulgou no seu jornal noturno.
O trecho sugere que o principal jurista do governo, o procurador-geral lorde Goldsmith, mudou de idéia sobre a legalidade da guerra entre os dias 7 e 18 de março de 2003, pouco antes da invasão. Fica parecendo que ele acreditava que a invasão era ilegal sem uma segunda resolução do Conselho de Segurança da ONU, e depois mudou de posição.

Os críticos de Blair acham que ele foi forçado a mudar de idéia por pressão política.
Incentivado por pesquisas que mostram que a confiança é um ponto fraco de Blair, o Partido Conservador, da oposição, acusou o premiê de ser "extremamente seletivo com a verdade".

O procurador-geral do "governo paralelo" da oposição, Dominic Grieve, pressionou o governo a esclarecer a sequência de fatos que precedeu a invasão.

O secretário das Relações Exteriores, Jack Straw, rebateu as acusações, afirmando que Grieve estava fazendo uma leitura "completamente tendenciosa" da carta.

O gabinete de Goldsmith afirmou que o procurador tinha o direito de mudar de opinião durante o debate, e que a conclusão a que ele chegou -- de que a guerra era legal -- foi genuína e independente.

A popularidade de Blair despencou por causa do envolvimento britânico na guerra no Iraque. Muitos britânicos não acreditaram nas razões apresentadas por ele, de que havia armas de destruição em massa lá, e essa desconfiança aumentou com o fato de as armas não terem sido encontradas.

Os partidos de oposição estão tentando faturar com essa desconfiança enquanto se preparam para a eleição, que deve ocorrer no dia 5 de maio. As pesquisas indicam que Blair deve vencer, mas terá sua maioria parlamentar reduzida.

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