Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Oposição venezuelana inicia luta para fixar data do referendo

Sexta, 04 de Junho de 2004 às 14:25, por: CdB

A oposição venezuelana começou a batalhar para que o referendo contra o presidente Hugo Chávez aconteça antes de 19 de agosto, condição exigida para a realização de novas eleições em 30 dias, caso ele saia derrotado.

Um diretor do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e líderes da oposição se disseram preocupados com a possibilidade de que o plebiscito aconteça depois dessa data, o que permitiria que Chávez, sempre em caso de derrota, tivesse seu mandato completado pelo vice, José Vicente Rangel, até 2007.

"Estamos numa corrida contra o tempo. O objetivo deles (o governo) agora é tentar marcar o referendo para depois de 19 de agosto. A data é 8 de agosto", disse Jesús Torrealba, porta-voz da coalizão de oposição Coordenação Democrática (CD).

O CNE anunciou na quinta-feira que a oposição conseguiu apresentar 2,45 milhões de assinaturas em prol do referendo, o que representa 20 por cento do eleitorado. O diretor do órgão, Ezequiel Zamora, acusado pelos chavistas de ser aliado da oposição, rejeitou a hipótese de que a votação seja adiada para depois de 8 de agosto, por problemas técnicos, como disseram algumas fontes do CNE. A data já havia sido aprovada pelo governo, pela autoridade eleitoral e pela oposição.

"Não é casual que se busque a mudança argumentando razões técnicas, porque o dia 15 (outra data possível) poderia ter uma armadilha escondida", disse Zamora a jornalistas.

"A armadilha poderia estar no fato de que a revogação (do mandato presidencial), de acordo com a opinião de destacados juristas, só é efetiva a partir do anúncio dos resultados. Se for iniciado no dia 15, basta que o organismo dê os resultados no dia 20 para que se tenha perdido o efeito buscado com o referendo".

Chávez disse na noite de quinta-feira em pronunciamento à nação que está pronto para o referendo e pediu ao CNE que fixe a data e as condições para sua realização.

"Quando o Conselho Nacional Eleitoral o ordenar, estaremos prontos para com um só homem começar a verdadeira batalha da revogação (do mandato) presidencial", afirmou.

Analistas dizem que o tema central dos próximos meses será a possibilidade de vitória de Chávez, que tem cerca de 40 por cento de popularidade.

Para que ele seja expulso do governo, a oposição precisa conseguir pelo menos 3,8 milhões de votos, a mesma quantidade obtida por Chávez em 2000, como prevê a Constituição.

No seu discurso de quinta-feira, Chávez, acusado pela oposição de ser um ditador latente, prometeu derrotar os adversários.

"Amigas e amigos, é só uma nova batalha, e o que nos espera é uma nova vitória", disse o presidente, que em abril de 2002 sobreviveu a um golpe militar e meses depois enfrentou uma greve geral que parou o país.

Mark Feierstein, vice-presidente associado da empresa de pesquisas Greenberg Quinal Rosner Research, dos EUA, disse à Reuters que a disputa é "um desafio para a oposição", embora considere que os adversários de Chávez têm chance de derrotá-lo.

"Eles têm de fazer uma campanha forte e sábia, têm de promover a reconciliação e a unidade. Têm de convencer a maioria de que estão preocupados com os pobres, não só na retórica, mas em programas".

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