Para a oposição, se trata de um apoio político a favor do presidente Hugo Chávez, candidato à reeleição.
- Neste momento a presença de Lula é inconveniente. Acredito que essa visita poderá ser manipulada eleitoralmente pelo governo - disse Timoteo Zambrano, diretor de Assuntos Internacionais do candidato de oposição, Manuel Rosales.
Zambrano também questiona o fato de que o presidente brasileiro inaugure a obra de uma empresa privada, como é o caso da construtora brasileira Odebrecht, responsável pela construção da ponte.
- Não vejo porque ele (Lula) tem que participar de uma inauguração deste tipo, ainda mais nas vésperas das eleições - questiona.
Agenda adiada
Maximilien Arvelaiz, assessor de Assuntos Internacionais do governo, disse que o mandatário brasileiro cumprirá uma agenda que já estava prevista, e que no entanto, "foi adiada devido aos compromissos da campanha eleitoral" do brasileiro.
A explicação, no entanto, é rebatida pelo diretor de Assuntos Internacionais do candidato opositor Manuel Rosales.
- Se Lula não pode vir antes porque estava em campanha eleitoral no Brasil, vir à Venezuela durante a nossa campanha eleitoral também não é aconselhável - diz Zambrano.
Manuel Rosales é o principal candidato de oposição que disputa as eleições com Hugo Chávez, dia 3 de dezembro.
Além da agenda pública de inauguração da ponte sobre o rio Orinoco e da certificação de um poço petroleiro, Chávez e Lula deverão discutir a pauta da próxima Cúpula Sul-Americana de Chefes de Estado, que será realizada na Bolívia em dezembro.
- Os presidentes têm que preparar os temas da Cúpula e conversar sobre os projetos que temos em comum - afirma Maximilien Arvelaiz.
Integração
Para Edgardo Lander, professor de sociologia da Universidade Central da Venezuela, a visita de Lula é "sem dúvida, uma expressão de apoio político a Chávez".
No entanto, mais do que interferir na política venezuelana, Lander acredita que a presença de Lula indica quais serão as prioridades da política exterior brasileira no segundo mandato.
Na avaliação do sociólogo, a ausência do presidente brasileiro na 16ª Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado, realizada na semana passada no Uruguai, indica que o governo brasileiro pretende priorizar outro tipo de integração.
- No Uruguai vimos uma forte presença do governo espanhol. Estão interessados na economia latinoamericana. Ao não participar da Cúpula, Lula indica que pretende fortalecer a integração no continente para poder disputar de igual para igual com a União Européia - afirma Lander.
Na 16ª Cúpula Ibero-Americana as discussões se centralizaram na contenta entre Argentina e Uruguai pela construção das fábricas de celulose no Rio Uruguai, na divisa entre os países. As negociações foram intermediadas pela Espanha.
EUA e Europa
No entanto, a lógica de fortalecer o Mercosul e a Comunidade Sul Americana de Nações para poder negociar com União Européia e EUA parece não agradar a estes países.
- Estados Unidos e União Européia pretendem impedir que seja criado em torno do Brasil um eixo alternativo de negociações. Por isso tratam de dividir os b