As duas facções oposicionistas do Zimbábue terão um ministro a mais no governo em relação ao ZANU-PF, o partido do presidente Robert Mugabe, após um acordo que determina a divisão do poder, informou um senador de oposição nesta sexta-feira.
O senador David Coltart, membro importante de uma pequena facção do oposicionista MDC, disse em um e-mail que o grupo principal, liderado por Morgan Tsvangirai, terá 13 ministros no gabinete. O ZANU-PF terá 15, e o grupo de Coltart, três. Mas Mugabe, de 84 anos, continuará como presidente, acrescentou.
A divisão se baseou nos votos recebidos por cada partido, em vez dos assentos ganhos nas eleições de 29 de março, nas quais o ZANU-PF perdeu o controle do parlamento pela primeira vez desde a independência do país, que veio em 1980.
Segundo Coltart, o poder de Mugabe será bastante reduzido com o acordo. Tsvangirai, que ficará com o cargo de primeiro-ministro, terá poder substancial, mas não absoluto. Caberá a Mugabe chefiar o gabinete, enquanto Tsvangirai chefiará o conselho de ministros e supervisionará o Parlamento.
As informações passadas no e-mail foram confirmadas pela Reuters também por telefone. Coltart disse ainda que o novo governo iniciará uma reforma constitucional que durará 18 meses. Ao fim deste processo, a nova constituição democrática estabelecerá a data das novas eleições.
Mesmo assim, a União Européia ainda considera aplicar mais sanções contra o partido de Mugabe, informou a Presidência do bloco, agora com a França.
"Precisamos estudar o acordo e abordar os compromissos dos partidos", disse uma autoridade da Presidência em um informe à imprensa.
O acordo de divisão do poder vem depois de dois meses de negociações que se seguiram à crise pós-eleições. O Zimbábue também vive um período conturbado na economia, com o maior índice de hiperinflação do mundo.
Oposição terá maioria em novo governo do Zimbábue
Sexta, 12 de Setembro de 2008 às 06:35, por: CdB