Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Oposição resolve paralisar votações sobre novas regras eleitorais

Líderes do PSDB e DEM resolveram acirrar os ânimos na disputa política e decidiram não votar qualquer proposta no Congresso que seja relacionada a mudanças em regras eleitorais, como a reeleição ou o mandato de cinco anos. (Leia Mais)

Terça, 15 de Abril de 2008 às 08:09, por: CdB

Líderes do PSDB e DEM resolveram acirrar os ânimos na disputa política e decidiram não votar qualquer proposta no Congresso que seja relacionada a mudanças em regras eleitorais, como a reeleição ou o mandato de cinco anos.

- Vamos definir, nos próximos dias, um ajuste de conduta dos dois partidos em relação às eleições municipais no Brasil inteiro. Segundo: não vamos votar no Congresso nada que tenha a ver com mudanças nas regras eleitorais - disse o presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE).

Segundo um dos parlamentares mais influentes da base aliada, que prefere não ter o seu nome citado, a manobra da oposição "chove no molhado".

- Não temos, na realidade, qualquer interesse em mudar as regras eleitorais e, com isso, ganhar mais um ano ou mais um mandato para o presidente - afirmou.

Centralizar o debate

As outras duas decisões, segundo ele, pretendem reforçar o “comparecimento ativo (dos dois partidos) em certas áreas de crise” e centralizar “alguns temas que devem conduzir a um debate objetivo, construtivo e reformador no Congresso Nacional”. Os temas, disse Guerra, ainda não foram definidos, mas serão debatidos no decorrer desta semana.

Após a reunião de cerca de duas horas, que terminou no início da madrugada desta terça-feira, o presidente do PSDB reconheceu existir um pacto de não-agressão entre os dois partidos.

- O DEM é um grande aliado nosso. Não faz sentido que fiquemos trocando acusações. Situações locais devem ser consideradas, mas do ponto-de-vista nacional, a idéia é trabalhar cada dia de forma mais articulada e consistente - afirmou Guerra.

O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM, disse que os partidos também pretendem fazer um levantamento sobre decisões e anúncios feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que não foram cumpridas.

- Queremos fazer um levantamento disso e relembrar à sociedade que o Brasil está cheio de palanque, mas de fatos concretos a gente viu pouco - disse.

Maia criticou principalmente a inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que, para ele, seriam utilizadas com objetivo eleitoral pelo presidente Lula.

- A boa avaliação do presidente é momentânea. Ele antecipou tudo o que podia de expectativa para a sociedade porque sabe que este período será certamente melhor que o segundo semestre na economia. Ele lança o edital de licitação do PAC em todos os Estados do país. Não é inauguração de obra nenhuma - criticou.

PSDB e DEM não discutiram, entretanto, como vão disputar a prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano. Os presidentes dos dois partidos disseram que ainda vão se reunir para definir se haverá uma candidatura única para a eleição da capital paulista ou se aceitam as candidaturas de Geraldo Alckmin, pelo PSDB, e do atual prefeito Gilberto Kassab, pelo DEM. Também participaram da reunião o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o ex-senador Jorge Bornhhausen, e os senadores Marco Maciel (DEM-PE), Arthur Vírgilio (PSDB-AM), José Agripino (DEM-RN) e Marisa Serrano (PSDB-MS), além dos deputados José Aníbal (PSDB-SP) e Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA).

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