O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) declarou que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, deveria tirar férias de 30 dias para se acalmar. Para ele, o petista está "descontrolado".
"Estou preocupado com o estado psicológico do ministro", afirmou o senador tucano na tribuna do Senado. Jereissati pediu a palavra para rebater as críticas de Dirceu publicadas nesta terça-feira na imprensa nacional.
Nelas, o ministro chama Jereissati de fraco, por ter se submetido à estratégia do líder da bancada, Arthur Virgílio (AM). E ataca discurso no qual o tucano defendeu a política econômica do governo e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no qual teria, segundo Dirceu, insinuado relações do governo com o crime organizado. Além disso, diz que Virgílio foi mais irresponsável do que o senador Almeida Lima (PDT-SE).
Almeida Lima criou suspense ao afirmar que teria provas contundentes do envolvimento do ministro no caso Waldomiro Diniz. No dia marcado para apresentar as provas, Lima apenas repetiu informações antigas e reportagem publicada na imprensa, provocando uma enxurrada de críticas até da própria oposição.
Irritado, Virgílio também usou a tribuna para atacar Dirceu. "Vamos tirar a fantasia: não existe caso Waldomiro, existe, quem sabe, um caso José Dirceu, e é disso que ele tem medo". Tasso, por sua vez, procurou suavizar seu discurso, não sem esquecer a ironia. "Acredito que nós devemos ajudar o governo, porque não nos interessa um país em que o próprio primeiro-ministro, entre aspas, está num momento de desestabilização pessoal".
Enquanto o tucano discursava, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), parlamentar bastante ligado ao Palácio do Planalto, saiu na defesa de Dirceu: "A mim, o doutor Dirceu disse coisas excelentes de vossa excelência".
O novo atrito com a oposição no Senado vem em um momento em que o governo tenta superar o episódio e trabalhar a chamada agenda positiva para debelar de vez os respingos da crise envolvendo o ex-assessor do Planalto.