O pedido feito nesta quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o PDSB e o PFL deixem para fazer oposição ao governo somente em 2010 não agradou os líderes desses partidos. O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que as palavras de Lula mostram que o governo caminha para um regime de ditadura no país.
- O sistema democrático exige que o governo seja fiscalizado. Pedir que não exista oposição é muito grave. Ele está caminhando próximo a outros presidentes com linha autoritária como o Hugo Chávez, na Venezuela -, criticou Maia.
Além de pedir que a oposição espere 2010 para criticar o governo em prol da coalizão política, Lula disse ter "relação de amizade" com membros da oposição, como os governadores José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG). O presidente se mostrou disposto a dialogar com os oposicionistas que forem "civilizados".
O senador José Jorge (PFL-PE), que concorreu à vice-presidência da República na chapa do tucano Geraldo Alckmin, disse que o papel da oposição não é se calar, e sim questionar o governo.
- Estamos em um país democrático, as conclusões são tiradas das divergências de opiniões. Da mesma maneira que a população concedeu o mandato ao presidente, nos deu o mandato para fazer oposição -, disse.
Na opinião de José Jorge, as palavras de Lula são "cascatas" que não vão se configurar no segundo mandato.
- Não adianta fazer essa salada geral (de partidos) em torno do governo -, disse.
Oposição reage e diz que não vai esperar 2010 para criticar governo
Quinta, 23 de Novembro de 2006 às 16:39, por: CdB