A oposição vai continuar obstruindo as votações na Câmara até que o governo assuma o compromisso de não editar mais medidas provisórias neste semestre e de ajudar na aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera o trâmite das MPs no Congresso. A informação foi dada pelos líderes do DEM, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), do PSDB, José Anibal (SP) e do PPS, Fernando Coruja (SC).
Os três líderes se reuniram no inicio da noite desta segunda-feira com o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), para pedir que ele intermediasse os entendimentos com o governo.
A oposição já havia proposto ao líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), que levasse a proposta ao governo, para permitir que o Congresso pudesse votar outras matérias ainda no primeiro semestre.
— Reiteramos ao presidente Arlindo Chinaglia o que tínhamos dito ao líder Fontana. A oposição quer abrir o processo legislativo para votar matérias de interesse da sociedade, como as de segurança pública, do meio ambiente, da saúde, as reformas política e tributária, mas como as coisas estão hoje, são 18 MPs na pauta da Câmara, isso é impossível —, disse o líder do PSDB.
— Ou há um acordo que implique que o governo não envie mais MPs até o final de junho ou não havendo vamos continuar na obstrução —, disse.
O líder do DEM informou que a proposta da oposição, caso o governo aceite o acordo, é não obstruir as votações das MPs que estão na Câmara. Ele disse no entanto, que “não há acordo no mérito".
Segundo o líder, a idéia da oposição é votar no final de abril ou no início de maio a PEC que trata das MPs e já no segundo semestre o Congresso Nacional iniciaria os trabalhos sob as novas regras de edição e tramitação de medidas provisórias.
— A obstrução às votações está mantida e só será revista caso o governo assuma o compromisso de não editar novas MPs no primeiro semestre e ajudar na aprovação da PEC —, reafirmou Antonio Carlos Magalhães Neto.
O líder Henrique Fontana disse que o governo está aberto a encontrar soluções equilibradas do ponto de vista da democracia e dos interesses de Estado.
— Nós não podemos tomar uma medida ultra radical contra medidas provisórias, sem uma alteração no regimento que dê maior equilíbrio a essas tramitações. Podemos buscar alternativas. Acho que tem que ter equilíbrio e sensibilidade de ambas as partes para se chegar a um posicionamento melhor —, afirmou Fontana.
— Eu tenho que fazer autocrítica de que o governo editou um número excessivo de MPs, mas a oposição também precisa fazer uma autocrítica de que esta obstrução até a morte é algo irracional. Já houve uma redução muito importante na edição de medidas provisórias nestas últimas semanas —, disse Fontana.
Oposição reafirma disposição de manter obstrução na Câmara
Segunda, 17 de Março de 2008 às 18:15, por: CdB