Rio de Janeiro, 24 de Março de 2026

Oposição pede ao TSE que investigue suposto esquema para encobrir Frued

Segunda, 16 de Outubro de 2006 às 18:05, por: CdB

Em reunião realizada no fim da tarde desta segunda-feira, os presidentes de PFL, PSDB e PPS decidiram entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de investigação do suposto esquema para encobrir o envolvimento de Freud Godoy, ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na compra de um dossiê da máfia dos sanguessugas contra políticos do PSDB. A oposição pretende entregar o pedido ao TSE nesta terça-feira.

A reportagem da revista "Veja" desta semana diz que Gedimar Passos, preso com parte dos R$ 1,7 milhão apreendidos na operação de negociação de compra do dossiê, teria se encontrado com Freud Godoy na PF de São Paulo. O encontro teria ajudado Gedimar a recuar das acusações de que Godoy estava por trás da compra dos documentos contra os tucanos. De acordo com a reportagem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, estaria comandando essa "operação abafa" em torno de Godoy.

- Queremos que seja investigado desde o afastamento de delegados que trabalhavam com independência ao envolvimento do ministro da Justiça para blindar o Freud -, disse o presidente do PSDB, Tasso Jereissati.

O pedido da oposição será anexado à representação já entregue por esses partidos ao TSE na ocasião de descoberta da negociação para a compra do dossiê.

Tasso e os presidentes do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PPS, deputado Roberto Freire (PE), prometem ainda procurar a superintendência da PF nesta terça para cobrar rapidez nas investigações sobre o caso.

- Não vamos admitir que a PF seja destruída e transformada na polícia política do governo Lula -, afirmou Tasso.

Os partidos também querem que o TSE investigue o apoio do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), a Lula no segundo turno. Para a oposição, houve um "mega-mensalão" de Lula ao prometer R$ 3 bilhões ao agronegócio, sendo R$ 1 bi ao Mato Grosso. Freire confirmou ainda que Maggi está desligado do partido. A formalização, segundo ele, depende apenas de uma carta que o próprio governador prometeu enviar à direção do PPS.

- Ele está desligado. A carta é uma mera formalidade -, disse.

O presidente do PPS rebateu também as acusações do comando da campanha de Lula de que a oposição tenta criar um clima de "desestabilização" ao criticar a postura da PF. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), era aguardado, mas não apareceu na reunião.

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