Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Oposição italiana pede eleições antecipadas

Quinta, 21 de Abril de 2005 às 15:11, por: CdB

A oposição de centro-esquerda da Itália pediu, nesta quinta-feira, ao presidente da República, Carlo Azeglio Ciampi, a realização de eleições antecipadas, e o primeiro-ministro que renunciou Silvio Berlusconi já trabalha na formação do próximo gabinete, certo de que será aceito.

Ciampi começou hoje a negociar com os líderes políticos para encontrar o candidato com mais apoio e encarregá-lo de formar o governo, depois que os aliados de Berlusconi o obrigaram na quarta-feira a apresentar sua renúncia.

O gesto é uma tentativa de salvar a imagem, já que todos os membros do bloco de centro-direita aceitaram continuar no governo, com mudanças em relação a nomes que contribuam para melhorar a imagem de todos.

O desejo de se manter no poder é alimentado pelo fato de que um adiantamento eleitoral só beneficiaria agora os progressistas na oposição.

A prova cabal foi dada pelas eleições regionais de 3 e 4 de abril, que foram ganhas claramente por L'Unione (de centro-esquerda) e detonaram a crise da coalizão conservadora.

Ao escritório de Ciampi foram na manhã de hoje vários representantes de centro-direita, que afirmaram que é preciso formar um governo estável e com um programa definido para os 13 meses que restam de legislatura.

À foi a oposição, representada por vários porta-vozes, porque Romano Prodi não conseguiu ir sozinho, como queria, e assumir o protagonismo que já tem como líder do partido nas próximas eleições.

Por isso compareceram os dois partidos comunistas, o ecologista e a democrata-cristã Udeur antes de que Prodi entregasse a Ciampi o documento consensuado por todos seus aliados e que resume suas posições.

O documento, de três páginas, pede aos conservadores que renunciem a uma série de leis que aplicaram nos últimos tempos, especialmente as reformas institucionais, com mais transferências às regiões e aumento dos poderes do primeiro-ministro.

Também pedem que o novo governo preste mais atenção à preocupante economia italiana e às regiões menos desenvolvidas do sul do país.

Prodi disse à imprensa que é necessária uma "mudança radical" na política italiana e afirmou que sua coalizão pede a convocação imediata de eleições porque "é impensável que agora haja um governo similar ou igual ao atual".

O medo de Prodi se baseia em que tudo indica que Ciampi encarregará novamente a Berlusconi a formação do governo, o que ocorrerá previsivelmente amanhã. Por isso o líder conservador poderia entregar ao chefe do Estado a lista de ministros nesta sexta-feira e que todos eles tomem posse no sábado.

Berlusconi iria ao Parlamento no começo da próxima semana, já que na Itália primeiro se forma o governo e depois se vai à Câmara.

Berlusconi dedicou parte do dia a reuniões com líderes dos partidos aliados para tentar formar uma equipe que não diferirá muito da atual.

Uma saída provável será a do vice-primeiro-ministro e líder democrata-cristão, Marco Follini, que foi o estopim desta crise com a decisão de deixar o gabinete.

Enquanto isso, a Liga Norte informou a Berlusconi que é irrenunciável manter o Ministério para as Reformas, que ocupou desde 2001.

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