A oposição política haitiana convocou para esta quarta-feira, uma manifestação seguida de dois dias de greve geral para exigir a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide.
O ato é coordenado pela Convergência Democrática, após vários dias de calma depois da tensa comemoração do bicentenário da independência, no último dia 1 de janeiro. Paralelamente, organizações civis e profissionais do setor privado participarão hoje de sua própria concentração, também para exigir a saída de Aristide.
A passeata desta quarta-feira da Convergência atravessará a capital de leste a sudeste, informou Charles Henry Baker, do Grupo 184. Ao mesmo tempo, as organizações opositoras convocaram uma greve geral para os dias 8 e 9, seguida de um dia para "reabastecimento" no sábado e outra passeata no domingo.
Ao mesmo tempo, dirigentes de grêmios estudantis da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade do Haiti realizarão atividades como parte da mobilização convocada pelos opositores de Aristide.
A Faculdade de Ciências Humanas, de onde os alunos se pronunciaram fortemente contra Aristide, fizeram nesta quarta-feira um ato simbólico de julgamento do presidente e de outras personalidades do governo e da polícia.
No final do ato, o estudante que fez as vezes de juiz declarou Aristide e os outros réus "culpados" por crimes contra o povo e pediu a "qualquer cidadão que os encontrar na rua que os detenha e os leve à delegacia mais próxima".
Os movimentos anunciados podem fazer com que os estudantes de ensinos fundamental e médio não compareçam à escola depois do recesso de final de ano.
Josué Meilien, da União Nacional de Professores Haitianos (UNNOH), disse que "não há condições para as atividades escolares" e pediu aos pais que mantenham seus filhos em casa e participem das atividades de mobilização.
Enquanto isso, foram registradas ontem manifestações em algumas cidades do país, principalmente em Gonaives (centro-oeste) e Hinche (centro).
Em Hinche, meios de comunicação locais disseram que partidários do regime Lavalas mataram um menino de 13 anos pouco antes da manifestação antigovernamental, e disseram que a família da vítima, Daniel Jean Louis, confirmou a informação.
A morte do menino gerou tensão na cidade, onde milhares de pessoas perseguiram os partidários do governo suspeitos de serem os autores do crime. Vários partidários de Aristide foram capturados e conduzidos ao quartel de polícia, acrescentaram.
Enquanto isso, personalidades do regime Lavalas criticaram os movimentos previstos pela oposição para esta semana. O senador Lans Clones convidou a oposição a participar das eleições legislativas anunciadas pelo presidente Aristide para este ano, de modo que obtenham "alguns cargos" no Parlamento.
O padre Yvon Massac, muito próximo de Aristide e diretor do Fundo de Assistência Social, declarou na segunda-feira a várias rádios que o partido Lavalas "está pronto para utilizar a violência contra a oposição, se necessário".
Após acusar a oposição de planejar um complô, Massac advertiu em uma expressão "crioula" que: "Tal como vêm, assim serão recebidos".
Os atuais acontecimentos ocorrem enquanto uma missão da Comunidade Caribenha (Caricom) se encontra desde segunda-feira em Porto Príncipe para obter informação sobre a situação haitiana e tentar mediar a crise, informaram vários jornais da capital
A delegação da Caricom, dirigida pelo secretário-geral adjunto Colin Granderson, reuniu-se na própria segunda-feira com o presidente Aristide. Não se soube nada do que discutiram Aristide e Garderson, que trabalhou no Haiti na década de 1990.
A Convergência divulgou no dia 2 uma "alternativa de transição" caso o regime Lavalas saia do poder. O grupo anunciou que um presidente interino substituiria o atual após seu afastamento.
O secretário de Estado da Comunicação, Mario Dupuy, minimizou a importância do do