Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Oposição faz 'abaixo-assinado gigante' contra Chávez

Domingo, 02 de Fevereiro de 2003 às 19:06, por: CdB

Milhares de venezuelanos assinaram neste domingo uma petição organizada por líderes da oposição contra o presidente do país, Hugo Chávez. Os líderes da oposição disseram estar esperançosos de que a campanha leve a uma redução do mandato de Chávez e à convocação antecipada de eleições. No sábado, os líderes da oposição afirmaram que estão preparados para suspender parcialmente a greve geral no país, que já dura dois meses, permitindo que algumas empresas funcionem em horários restritos a partir da segunda-feira. Em seu pronunciamento semanal em cadeia de rádio e televisão, Chávez disse que a decisão é uma vitória sua sobre a oposição. 'Nova fase' Ao explicar a mudança de tática tomada pelos coordenadores da paralisação, um de seus líderes, Jesús Torrealba, afirmou: "A greve geral já atingiu seus objetivos e o protesto está entrando uma nova fase." Mas analistas acreditam que o movimento começou a falhar quando muitas empresas, temendo a falência, retomaram suas atividades. O Conselho de Bancos Nacional e a Associação Bancária Venezuelana anunciaram ter decidido reiniciar seu funcionamento normal a partir da segunda-feira. Centros comerciais, restaurantes e escolas também devem voltar a funcionar. Dez propostas O grande abaixo-assinado organizado pela oposição ao presidente faz dez exigências, entre elas a convocação de um plebiscito para revogar o mandato de todos os deputados governistas e seus suplentes. Também é possível assinar o pedido para a criação de uma Assembléia Constituinte. A coleta de assinaturas substitui o referendo consultivo que a oposição havia solicitado às autoridades eleitorais do país, com o intuito de perguntar aos venezuelanos se eles queriam ou não a renúncia de Chávez. Segundo o deputado Carlos Ocariz, da oposição, o objetivo da campanha deste domingo é dar respaldo, com assinaturas de cidadãos, às propostas. Mas o parlamentar governista Calixto Ortega lembrou que, apesar de a coleta de assinaturas ser "perfeitamente legal", algumas das propostas "têm vícios de inconstitucionalidade". O partido de Ortega e outros que apóiam o governo também se mobilizaram neste domingo para realizar "assembléias de cidadãos", em lugares próximos aos postos para coleta de assinaturas. A greve geral, iniciada em 2 de dezembro, forçou os venezuelanos a formar filas para comprar comida e gasolina, e gerou violentos protestos que deixaram pelo menos sete mortos.

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