A organização egípcia de oposição Irmandade Muçulmana tenta consolidar nesta quinta-feira, na terceira e última etapa das eleições parlamentares no Egito, o bom desempenho nas urnas até agora. A Irmandade, que foi proibida de disputar eleições, está apresentando candidatos como independentes e, até agora, garantiu 66 cadeiras, mais de cinco vezes o total que controla no atual Parlamento. Um porta-voz da organização disse à agência de notícias Reuters que 576 de seus membros foram presos nos últimos dois dias, entre eles pessoas participando ativamente da eleição. O Ministério do Interior egípcio, porém, diz não ter informações sobre as prisões.
Observadores disseram que a etapa anterior de eleições, no dia 20 de novembro, foi prejudicada pela violência entre grupos políticos rivais, por tentativas de intimidação de eleitores e por fraudes. O governo recebeu críticas de supervisores eleitorais por não ter agido de forma eficaz para conter a intimidação. Eles também questionaram o resultado dessa segunda etapa.
Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Sean McCormack, disse que é importante que o governo do Egito garanta que as pessoas possam votar sem medo de violência.
Por sua vez, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional manifestou "preocupação com as prisões em massa de simpatizantes e ativistas da oposição" e condenou o governo por aparentemente "fracassar na tentativa de garantir que os eleitores estejam livres da violência, das prisões arbitrárias e da intimidação". Mais de dez milhões de egípcios estão cadastrados para ir às urnas nesta quinta-feira. Estão em disputa 136 das 454 cadeiras do Parlamento egípcio.