Após a ministra Dilma Rousseff confirmar presença na audiência pública na Comissão de Infra-estrutura do Senado, os senadores da oposição tramam um questionamento completamente diverso do assunto em pauta. Ao invés de pedir notícias acerca do Plano de Aceleração do Crescimento, pretendem bombardear a ministra com perguntas sobre os gastos da Presidência da República nos cartões corporativos. A estratégia dos oposicionistas, no entanto, está longe de ser um segredo para a base aliada, que já se dispõe a intervir - "até duramente, se necessário", segundo um parlamentar que estará presente à audiência, mas que prefere se manter no anonimato".
No ofício encaminhado à Comissão, a ministra coloca-se à disposição para comparecer "na melhor data que isso for possível de ser concretizado". Dilma informa que a assessoria da Casa Civil entrará em contato com a secretaria da CI para agendar a data da audiência, que provavelmente deverá ocorrer ao longo desta semana. No documento, Dilma confirma o recebimento de ofício da CI pedindo que ela compareça à comissão para prestar esclarecimentos acerca da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (PA) e sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Os oposicionistas pretendem manter a pauta dos quatro requerimentos que pediam a presença da ministra Dilma Rousseff na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Cartões Corporativos, todos rejeitados no plenário da CPMI. O objetivo era que a ministra falasse sobre cartões corporativos e também sobre o vazamento de informações da Casa Civil relativas a gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso com cartões do governo.
Mas os parlamentares da oposição conseguiram, no entanto, aprovar na CI o requerimento do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) pedindo a presença da ministra em audiência para debater a usina de Belo Monte e as obras do PAC. A oposição chegou a aprovar um aditamento do senador Marconi Perillo (PSDB-GO) explicitando que a ministra tratasse também da questão dos cartões corporativos, mas essa complementação ao requerimento original acabou sendo retirada pelo próprio autor, após protestos dos senadores governistas Romero Jucá (PMDB-RR) e Delcídio Amaral (PT-MS).