A oposição da Venezuela, que sofreu um revés na luta para abreviar o mandato do presidente Hugo Chávez, anunciou que recorrerá à comunidade internacional e aumentará a pressão nas ruas com manifestações contra o militar da reserva. Os adversários de Chávez, que desde a última sexta-feira se enfrentam com militares nas ruas do país em um conflito que já deixou pelo menos seis mortos e cerca de 75 feridos a bala, reafirmaram que entregaram 3,4 milhões de assinaturas ao Conselho Nacional Eleitoral do país, mais do que o necessário para a convocação de um referendo para encurtar o mandato de Chávez.
Mas, em uma decisão que era esperada desde o mês passado, o poder eleitoral venezuelano reconheceu somente 1,83 milhão de assinaturas como válidas, número inferior as 2,4 milhões de firmas necessárias para convocar o referendo. As 603.590 assinaturas que faltam para convocar o referendo podem ser conseguidas se os eleitores comparecerem ao CNE em dois dias, que ainda não foram determinados, para reconhecer as assinaturas como suas, em um processo chamado de "reparos".
Nesta quarta-feira o país se mantinha em relativa tranquilidade, após cinco dias de manifestações nas ruas de Caracas e de outras cidades venezuelanas. As autoridades usavam tratores para tirar o lixo e os pneus, ainda em chamas, que foram usados na construção de barricadas durante as manifestações, das ruas. A decisão do CNE foi classificado pelos opositores como um novo obstáculo para a realização da votação que, se vitoriosa, poderia pôr fim ao mandato de Chávez, eleito em 1998 e reeleito novamente em 2000.
O deputado Carlos Ocariz, do partido oposicionista Primero Justicia, disse que os adversários de Chávez "não aceitamos os reparos...porque estão tratando os venezuelanos como delinquentes". "Aqui o povo não vai se entregar, o povo vai para as ruas para seguir pressionando para que nossos direitos não sejam violados como foi anunciado pelo CNE ontem", disse.
Após a decisão do CNE, o órgão de oposição Coordinadora Democrática (CD) concordou em pedir a Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Centro Carter, com sede nos Estados Unidos - que participam como observadores do processo - que intercedam para estabelecer regras claras do jogo. Em entrevista a uma rádio, o parlamentar Andrés Velásquez disse que a oposição prevê a realização de mais manifestações, a apresentação de um pedido de reconsideração ao próprio CNE e um recurso ao Supremo Tribunal de Justiça para que "uma vez que todas as possibilidades internas tiverem se esgotado, recorramos à Justiça internacional".
Oposição diz que vai manter luta contra Chávez
Quarta, 03 de Março de 2004 às 15:56, por: CdB