O principal líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, afirmou neste sábado que é o vencedor claro das eleições presidenciais do país e que não existe necessidade para a realização de um segundo turno.
As declarações de Tsvangirai são uma reação à decisão do partido do atual presidente, Robert Mugabe, o Zanu-PF, de apoiar a participação de seu candidato em um eventual segundo turno.
Os líderes do partido se reuniram nesta sexta-feira para decidir como deveriam reagir aos resultados da eleição, que uma semana após o pleito ainda não foram divulgados.
O partido de oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) afirma que Tsvangirai obteve 50,3% dos votos, portanto pouco mais do que os 50% necessários para evitar um segundo turno. Já uma projeção independente dá 49% dos votos a Tsvangirai e 42% a Mugabe.
"Guerra contra o povo"
Neste sábado, Tsvangirai disse ainda que Mugabe, que está no poder desde 1980, está se preparando para ir à guerra contra o povo de seu país.
- No segundo turno, a violência vai ser apenas a nova arma para reverter a vitória do povo. Em relação a isto, nós sabemos que milhares de militares estão sendo recrutados, militantes estão sendo reabilitados e alguns que se dizem veteranos de guerra já estão no caminho da guerra. -afirmou Tsvangirai.
- Além disso, as máquinas impressoras do Banco Central estão a todo vapor imprimindo mais dinheiro para atividades de suborno, financiamento da violência e criação de áreas proibidas para o MDC - emendou.
O líder da oposição também apelou por ajuda internacional para evitar que a situação no Zimbábue se deteriore ainda mais.
- É fundamental que a SADC (o grupo regional sul-africano), a União Africana e a ONU (Organização das Nações Unidas) entre para evitar este caos, esta violência e esta desarticulação que tomou conta do país - afirmou Tsvangirai.
Histórico de violência
Também neste sábado, advogados do MDC tentaram entrar com uma petição na Suprema Côrte, na capital Harare, pedindo uma ordem que force a divulgação dos resultados das eleições do último sábado. Porém, eles foram impedidos de entrar no local por policiais armados e o caso foi adiado até a tarde deste domingo.
O vice-ministro da Informação do Zimbábue, Bright Matonga, acusou o MDC de espalhar notícias falsas e maliciosas para conquistar a simpatia internacional.
Correspondentes afirmam que existem temores de que um segundo turno das eleições presidenciais - que poderia ocorrer daqui a três semanas - possa levar a uma ressurreição da violência e da intimidação típicas de eleições passadas no Zimbábue.
Mugabe, de 84 anos, assumiu o poder há 28 anos, quando o país vivia uma onda de otimismo graças à conquista de sua independência do Reino Unido. Porém, nos últimos anos o país foi castigado com as maiores taxas de inflação do mundo, além da escassez de comida e combustível, o que, segundo correspondentes, fez com que muitas pessoas passassem para lado da oposição.