Oposição dinamarquesa deve ganhar eleição--boca-de-urna
Por Anna Ringstrom e Jeremy Gaunt
COPENHAGUE (Reuters) - O "bloco Vermelho" de centro-esquerda da Dinamarca deve obter o poder na quinta-feira e derrubar o primeiro-ministro Lars Lokke Rasmussen, de centro-direita, em uma eleição impulsionada pela fúria do eleitor com o estado da economia, disseram pesquisas de boca-de-urna.
Se elas estiverem corretas, a social-democrata Helle Thorning-Schmidt será a próxima primeira-ministra, a primeira mulher a ocupar o posto na Dinamarca. O "bloco Azul" de centro-direita está no poder há 10 anos.
Uma pesquisa da rádio nacional DR projetou que o agrupamento de Thorning-Schmidt receberia uma maioria de pelo menos 91 cadeiras no Parlamento de 179 cadeiras.
O estado da economia é a questão principal da campanha, com os partidos da coalizão governista, como outros na Europa, sob pressão por presidirem a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.
Thorning-Schmidt atacou Rasmussen por não conseguir estimular o crescimento e por mergulhar o país no déficit.
"Podemos dizer adeus a 10 anos de governo burguês que parou e ter um novo governo e uma nova maioria na Dinamarca", disse ela a repórteres.
Sua plataforma inclui mais gastos do governo, junto com um plano incomum de fazer todos trabalharem 12 minutos a mais por dia. Uma hora extra de produtividade por semana, argumenta seu grupo, ajudará a estimular o crescimento econômico.
De seu lado, Rasmussen apelou aos eleitores para ficarem com ele e não deixarem a centro-esquerda desfazer o que já foi alcançado.
"Deveríamos permanecer no curso que nos levou razoavelmente através da crise, criar um novo otimismo na Dinamarca, não criar obstáculos para privar o consumo e não tornar ainda mais caro ser dinamarquês", disse.
A Dinamarca foi poupada de muitos dos traumas sofridos pelos países do oeste europeu porque continua fora da zona do euro. Isso significa que ela não está envolvida no resgate de países endividados como a Grécia, uma questão que provocou a ira popular na vizinha Alemanha.
Mas a crise econômica transformou o saudável superávit dinamarquês em déficit, que deve subir para 4,6 por cento do PIB no próximo ano.
(Reportagem adicional de John Acher, Mette Fraende, Shida Chayesteh, Teis Jensen, Terje Solsvik, Ole Mikkelsen, Jakob Vesterager e Anna Ringstrom)
Reuters