Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Oposição da Venezuela desdenha ajuda americana

Sábado, 11 de Janeiro de 2003 às 16:26, por: CdB

A oposição ao presidente Hugo Chávez recebeu com reservas a proposta do governo americano de criar um "grupo de amigos" para tentar solucionar a crise na Venezuela. Na avaliação de um dos principais líderes opositores, Carlos Fernández, presidente da Fedecâmaras, a situação no país está sob controle. Segundo Fernández ainda não existe a necessidade da formação um "clube de países interessados em colaborar com os venezuelanos". Fernández acredita que a presença do Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gavíria, na coordenação dos diálogos entre os dois lados do conflito é suficiente. "Ajuda inoportuna" "Gavíria está desenvolvendo um excelente trabalho. Em pouco tempo, deve apresentar uma proposta positiva aos venezuelanos", salientou o presidente da Fedecâmaras. "Agradecemos o interesse dos Estados Unidos, mas acreditamos que, nesse momento, a ajuda é inoportuna". Segundo Fernández, o trabalho que Gavíria desenvolve no país já representa uma colaboração de países amigos da Venezuela. De acordo com ele, Gavíria ainda está mantendo o controle da situação. "O único problema é que Chávez não escuta a população, não entende o que está ocorrendo nas ruas do país. Mas, achamos que, com pressão, chegaremos a uma solução para esse conflito". "Grupo de amigos" O plano dos Estados Unidos, de acordo com reportagem publicada no jornal Washington Post na sexta-feira, prevê a criação de um "grupo de amigos", ligado aos dois lados do conflito e que proponha as bases do acordo para antecipar as eleições. Além de fortalecer a participação da OEA na intermediação da crise, a idéia é acabar com a greve, que completou 40 dias na sexta-feira. "Sabemos que os Estados Unidos estão preocupados com a paralisação que atinge o setor petroleiro e tem afetado profundamente as exportações para esse país", disse Fernández. "É uma preocupação válida e compreensível. Temos conversado permanentemente com o governo americano e com os representantes da Embaixada na Venezuela. Mas, nesse momento, não precisamos de uma ajuda suplementar". A proposta americana também quer esvaziar uma ação independente do Brasil para tentar resolver a crise dos venezuelanos. O governo brasileiro já afirmou que é contra a antecipação das eleições na Venezuela como exige a oposição. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Chávez foi eleito de forma legítima e de nada adiantaria realizar eleições nesse momento, já que existe o risco de encerrar uma crise para iniciar outra. Segundo Amorim, essa proposta, além de contrariar a Constituição, pode não resolver nada. Informação oficial O governo venezuelano se limitou a dizer na sexta-feira que desconhece a proposta americana de "criação de um grupo de países amigos". O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Roy Chaderton Matos, disse contar apenas com informações preliminares de que alguns países estariam dispostos a colaborar na busca de uma saída para a crise política e econômica que vive a Venezuela. "Não recebi nenhuma informação oficial sobre a formação desse grupo", afirmou Chaderton. "Espero que a proposta tenha como objetivo buscar soluções para que os venezuelanos possam encontrar um espaço comum de reconciliação e de paz". Na avaliação do analista político José António Gil Yepes, a formação de grupos internacionais têm grande importância quando trata de buscar soluções para crises como a que vive a Venezuela. Para Yepes, esse grupo, caso realmente seja formado, deveria se incorporar e reforçar o trabalho de Gavíria, que tem sido muito sério e difícil.

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