Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

OPOSIÇÃO DA BOLÍVIA QUER IMPEDIR ELEIÇÃO JUDICIAL POR DENÚNCIA DE IRREGULARIDADE

Quarta, 20 de Julho de 2011 às 08:40, por: CdB

LA PAZ, 20 JUL (ANSA) - A oposição da Bolívia realizou uma série de movimentações para impedir as eleições para juízes previstas para 16 de outubro e substituí-las por um plebiscito de rechaço à forma como o partido governista Movimento Ao Socialismo (MAS) conduziu o processo de indicação dos candidatos.
   
O Movimento Sem Medo (MSM), maior partido de oposição, acusa a legenda de esquerda de ter utilizado sua maioria na Assembleia Legislativa para indicar candidatos alinhados ao governo de Evo Morales, chegando a descumprir normas da própria Lei de Regime Eleitoral, que versa sobre as regras de indicação.
   
Segundo o deputado oposicionista Fabián Yaksic, o MAS não levou em consideração "os informes de avaliação de méritos dos candidatos" e adotou um "critério eminentemente político-partidário" para designar os candidatos. Segundo ele, isso pode prejudicar a garantia de independência dos futuros juízes.
   
O parlamentar também protocolou ontem no Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) um recurso de apelação para a revisão da lista de candidatos, argumentando que as listas de quatro departamentos não constam com candidatos autodeclarados como indígenas de origem camponesa, como obriga a Lei de Regime Eleitoral em seu artigo 79.
   
De acordo com o líder do MSM, Juan del Granado, não há candidatos nesta condição nas listas dos departamentos de La Paz, Tarija, Pando e Beni.
   
O presidente da Câmara de Deputados, Héctor Arce (MAS), respondeu, por sua vez, que a denúncia está incorreta porque a lei obriga que "deve haver ao menos um indígena de origem camponesa" e, "na lista geral, há mais de um indígena". Ele acrescentou que o processo de seleção foi validado pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
   
O presidente do TSE, Wilfredo Ovando, declarou ontem em coletiva com a imprensa estrangeira que o tribunal "trabalha com base na normativa legal" e se pronunciará "de forma definitiva" caso as denúncias tenham sustentação legal. A corte assumiu nesta segunda-feira a responsabilidade pelo processo eleitoral.
   
No entanto, Granado ameaçou entrar com um processo contra Ovando por "descumprimento de deveres" caso o TSE aceite a lista e não as devolva para a Assembleia Nacional revisar os nomes.
   
A eleição judicial, marcada para outubro, ocorrerá em todos os departamentos da Bolívia e é o primeiro pleito do tipo na história do país.
   
A lei que institui a eleição direta para o Tribunal Supremo de Justiça, o Tribunal Agroambiental, o Conselho de Magistratura e o Tribunal Constitucional Plurinacional é a terceira das cinco normas orgânicas que permitem a implementação da Constituição Política do Estado boliviano, que entrou em vigência em fevereiro de 2009. (ANSA)


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