Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Oposição culpa Chávez por corrupção bancária

Sexta, 04 de Dezembro de 2009 às 11:32, por: CdB

Um líder oposicionista da Venezuela acusou nesta quinta-feira o presidente Hugo Chávez de fazer vista grossa à corrupção de aliados ricos, que estariam fraudando alguns bancos.

– Este é um governo de ladrões –  disse Henry Ramos Allup à Reuters na sede do seu partido Ação Democrática.

– Todo mundo sabe quais autoridades enriqueceram (...). Ou ele (Chávez) não quer saber, ou sabe e não faz nada porque são muitas pessoas, possivelmente até ele, comprometidas com o que está acontecendo – completou.

Allup, cujo próprio partido foi acusado de corrupção em grande escala quando ocupava o poder, publicou nesta semana uma lista de 11 personalidades que estariam sendo coniventes com a corrupção.

As declarações dele - após o fechamento de quatro pequenos bancos privados nesta semana por problemas administrativos, e de ameaças de nacionalização bancária feitas por Chávez - contribuem para a ansiedade em torno do sistema bancário do país.

A associação de bancos privados apoia o governo em suas recentes ações e diz que o sistema financeiro está funcionando normalmente.

Na quarta-feira, Chávez negou ser conivente com uma máfia bancária e acusou a oposição de insuflar a mídia contra o governo e de travar uma guerra psicológica contra ele.

– Agora a máfia me acusa de ser da máfia. Eles acham que chegou o momento para se livrar de Chávez, para atingir Chávez (...). Digo ao meu povo: 'Não se deixe enganar' – afirmou o presidente.

Allup, que diz investigar há meses o setor financeiro, afirmou que 70% dos cerca de 45 bancos da Venezuela estão em bom estado. Quanto ao restante, teriam sido comprados e mal administrados por aliados de Chávez nos últimos anos e estariam vulneráveis.

Embora um rico ex-aliado do governo dono de um dos quatro bancos fechados tenha sido preso, Allup disse que Chávez está atacando a oposição e preparando nacionalizações em vez de resolver as causas do problema. O político diz que tem sido intimidado desde segunda-feira, quando começou a detalhar suas acusações.

– A reação é sempre contra quem denuncia, não (contra) quem transgride – disse ele, acrescentando que sua família recebeu telefonemas ameaçadores e que dois carros o perseguiram e o acuaram no estacionamento de um hotel pouco antes da entrevista.

Tags:
Edições digital e impressa