Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Oposição concorda em colaborar com reforma tributária

Segundo deputado do PSDB, haverá um dispositivo na reforma que vetará aumento da carga. Para Fernando Coruja do PPS ainda resta dúvidas se a votação é para disfarçar crise com os cartões corporativos.

Quarta, 27 de Fevereiro de 2008 às 10:24, por: CdB

Após reunião dos líderes oposicionistas com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na noite desta terça-feira, o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), disse que o seu partido vai colaborar com a discussão da reforma tributária. Segundo José Aníbal, haverá um dispositivo na reforma – que deverá ser enviada ainda nesta quinta-feira ao Congresso – que vetará aumento de carga tributária por causa da adoção do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) federal, que vai substituir tributos que incidem sobre a produção.

Já o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), esclareceu que o governo não recuou na intenção de enviar uma proposta de desoneração da folha de pagamento das empresas como teria sido anunciado na segunda-feira. A idéia é deixar as alterações, se for o caso, para o Congresso.

- Se o governo começar a fazer alterações na proposta antes de encaminhá-la, a reforma tributária não vai avançar. Existem pressões de todos os lados, que são naturais. Agora, o debate e as alterações têm de ser feitas no Congresso Nacional quando a proposta for encaminhada -  disse Magalhães Neto. O líder explicou ainda que o DEM quer a redução da carga tributária e uma redivisão do bolo da arrecadação federal.

Líder do PPS, o deputado Fernando Coruja (SC) disse que apenas questionou se a reforma tributária desta vez é para valer: 

- A pergunta que eu fiz ao ministro foi a seguinte: Essa proposta é para valer ou é apenas mais uma para - como foi feito por outros governos - disfarçar uma crise que está acontecendo no Congresso agora com os cartões corporativos? Ele disse que é para valer. Vamos esperar para ver.

Para o líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), a proposta foi bem recebida pela oposição porque trata dos temas centrais.

- A reforma tributária é para dar ao País uma nova estrutura tributária que vai valer a partir de 2010. Ou seja, estamos reformando para as gerações futuras.

A líder do Psol, deputada Luciana Genro (RS), destacou a falta de projetos de regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas e a necessidade de retorno da taxação dos investimentos feitos por estrangeiros no mercado financeiro brasileiro.

Sindicalistas

Na última segunda-feira, representantes de sete centrais sindicais se reuniram com o presidente Lula e o ministro Guido Mantega para pedir que o governo não incluísse medidas de desoneração fiscal na reforma tributária.

Segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, os sindicalistas não concordam com os argumentos do governo. O Planalto alega que o crescimento econômico provocaria aumento na arrecadação, que compensaria a redução tributária. Paulo Pereira da Silva acha que, se não houver garantia de reposição, os aposentados poderão ser prejudicados no futuro.

O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) cobrou do governo que a diminuição da contribuição patronal para a Seguridade Social não resulte, no médio e longo prazo, em diminuição das receitas do sistema previdenciário público e universal. A CUT espera que a reforma venha a favorecer o setor produtivo, como forma de ampliar a geração de empregos formais, e taxar mais o setor financeiro e especulativo.

O deputado José Aníbal disse nesta terça-feira que pretende apoiar a reivindicação dos sindicalistas. Ele também é contrário a mudanças na contribuição previdenciária patronal que gerem insegurança quanto ao pagamento de aposentadorias e pensões no futuro.

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