Rio de Janeiro, 02 de Maio de 2026

Oposição começa a se mobilizar para 'terceiro turno'

A oposição comandada pelo PSDB e pelo PFL prepara-se para, mais uma vez, enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro do ano que vem, à espera de uma revanche das eleições de 2002, quando Lula bateu José Serra no segundo turno por uma diferença de mais de 19 milhões de votos. (Leia Mais)

Quinta, 10 de Novembro de 2005 às 10:28, por: CdB

A oposição comandada pelo PSDB e pelo PFL prepara-se para enfrentar mais uma vez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro do ano que vem, à espera de uma revanche das eleições de 2002, quando Lula bateu o tucano José Serra no segundo turno por uma diferença de mais de 19 milhões de votos.

- Será um verdadeiro terceiro turno e até com os mesmos personagens, se os candidatos forem Lula e Serra - disse o deputado Jutahy Junior (PSDB-BA), ex-líder e um dos mais experientes políticos tucanos.

O prefeito de São Paulo, José Serra é o único candidato que supera Lula nas pesquisa de intenção de voto divulgadas desde maio, acrescenta que "a disputa já está polarizada entre PT e oposição, com pouco espaço para outros nomes".

O agravamento da crise política e o desgaste moral do governo nos últimos seis meses deram à oposição a chance de atacar pelo terreno da ética, que tende a dominar a campanha.

- Quem perde o respeito da sociedade na questão moral não se recupera. Lula pode até tentar buscar parte dos votos que perdeu nesse processo, mas jamais alcançará a maioria absoluta para se reeleger - disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).

PSDB e PFL dão como certa uma repetição da aliança que os levou à vitória duas vezes, em 1994 e 1998, com a chapa Fernando Henrique Cardoso-Marco Maciel. A coligação será formada tendo à frente Serra ou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, asseguram dirigentes dos dois partidos. O PFL recolheu a candidatura do prefeito do Rio, Cesar Maia.

Já existe até uma divisão de tarefas na oposição. O PFL se expõe totalmente na linha de ataque, enquanto o PSDB, além de fustigar o governo no Congresso, preserva seus dois nomes principais para a disputa eleitoral. Na mesma terça-feira em que o PFL utilizou vinte minutos na televisão para repercutir as denúncias contra Lula e o PT, Serra e Alckmin ajudaram discretamente o governo a aprovar, na Câmara, a medida provisória que criou a super-Receita Federal.

De passagem por Brasília, prefeito e governador desmobilizaram um ataque de líderes do PSDB e do PFL destinado a inviabilizar a votação, segundo relatos de políticos dos dois partidos.

Embora seja uma das mais importantes vitórias políticas do governo Lula desde a eleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara, em setembro, a nova Receita interessa ao futuro presidente, seja quem for.

"Ninguém ajuda mais o governo do que a oposição, quando se trata do interesse do país, mas ele, o chefe, o Lula não tem grandeza para compreender isso e nos ataca como se fôssemos os culpados pela crise dele", queixou-se o senador Tasso Jereissati (CE), próximo presidente do PSDB.

"Terceiro turno"

A prorrogação da disputa de 2002, o "terceiro turno", parece vantajosa para a oposição, já que o confronto entre Lula e Serra se deu em condições desfavoráveis para o tucano. Em 2002, Serra fechou uma coligação com o PMDB, mas a maioria desse partido ficou com Lula já no primeiro turno. Carregava o peso de um governo (FHC) desgastado pela estagnação econômica, por denúncias de corrupção na privatização, pela crise da energia e por divisões em sua base.

Hoje, o desgaste político, os problemas administrativos, a divisão e o déficit moral pesam sobre o PT, que pela primeira vez assumiu a presidência da República.

- Em 2002, para uma boa parcela do eleitorado, o PT existia apenas no imaginário, criado pela publicidade. Agora teremos elementos reais de comparação e vamos fazer o debate que não houve naquela eleição - disse Jutahy Junior.

A propaganda do PFL explorou os escândalos dos últimos seis meses, valendo-se de um recurso utilizado nas campanhas do PT no passado: as manchetes de jornais negativas sobre o adversário. "Vamos pro pau", resumiu o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), líder da minoria.


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