A oposição comandada pelo PSDB e pelo PFL prepara-se para enfrentar mais uma vez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro do ano que vem, à espera de uma revanche das eleições de 2002, quando Lula bateu o tucano José Serra no segundo turno por uma diferença de mais de 19 milhões de votos.
- Será um verdadeiro terceiro turno e até com os mesmos personagens, se os candidatos forem Lula e Serra - disse o deputado Jutahy Junior (PSDB-BA), ex-líder e um dos mais experientes políticos tucanos.
O prefeito de São Paulo, José Serra é o único candidato que supera Lula nas pesquisa de intenção de voto divulgadas desde maio, acrescenta que "a disputa já está polarizada entre PT e oposição, com pouco espaço para outros nomes".
O agravamento da crise política e o desgaste moral do governo nos últimos seis meses deram à oposição a chance de atacar pelo terreno da ética, que tende a dominar a campanha.
- Quem perde o respeito da sociedade na questão moral não se recupera. Lula pode até tentar buscar parte dos votos que perdeu nesse processo, mas jamais alcançará a maioria absoluta para se reeleger - disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).
PSDB e PFL dão como certa uma repetição da aliança que os levou à vitória duas vezes, em 1994 e 1998, com a chapa Fernando Henrique Cardoso-Marco Maciel. A coligação será formada tendo à frente Serra ou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, asseguram dirigentes dos dois partidos. O PFL recolheu a candidatura do prefeito do Rio, Cesar Maia.
Já existe até uma divisão de tarefas na oposição. O PFL se expõe totalmente na linha de ataque, enquanto o PSDB, além de fustigar o governo no Congresso, preserva seus dois nomes principais para a disputa eleitoral. Na mesma terça-feira em que o PFL utilizou vinte minutos na televisão para repercutir as denúncias contra Lula e o PT, Serra e Alckmin ajudaram discretamente o governo a aprovar, na Câmara, a medida provisória que criou a super-Receita Federal.
De passagem por Brasília, prefeito e governador desmobilizaram um ataque de líderes do PSDB e do PFL destinado a inviabilizar a votação, segundo relatos de políticos dos dois partidos.
Embora seja uma das mais importantes vitórias políticas do governo Lula desde a eleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara, em setembro, a nova Receita interessa ao futuro presidente, seja quem for.
"Ninguém ajuda mais o governo do que a oposição, quando se trata do interesse do país, mas ele, o chefe, o Lula não tem grandeza para compreender isso e nos ataca como se fôssemos os culpados pela crise dele", queixou-se o senador Tasso Jereissati (CE), próximo presidente do PSDB.
"Terceiro turno"
A prorrogação da disputa de 2002, o "terceiro turno", parece vantajosa para a oposição, já que o confronto entre Lula e Serra se deu em condições desfavoráveis para o tucano. Em 2002, Serra fechou uma coligação com o PMDB, mas a maioria desse partido ficou com Lula já no primeiro turno. Carregava o peso de um governo (FHC) desgastado pela estagnação econômica, por denúncias de corrupção na privatização, pela crise da energia e por divisões em sua base.
Hoje, o desgaste político, os problemas administrativos, a divisão e o déficit moral pesam sobre o PT, que pela primeira vez assumiu a presidência da República.
- Em 2002, para uma boa parcela do eleitorado, o PT existia apenas no imaginário, criado pela publicidade. Agora teremos elementos reais de comparação e vamos fazer o debate que não houve naquela eleição - disse Jutahy Junior.
A propaganda do PFL explorou os escândalos dos últimos seis meses, valendo-se de um recurso utilizado nas campanhas do PT no passado: as manchetes de jornais negativas sobre o adversário. "Vamos pro pau", resumiu o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), líder da minoria.
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