Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Oposição busca apoio de governistas para criar CPMI sobre caso Palocci

Terça, 24 de Maio de 2011 às 08:25, por: CdB

Líderes da oposição no Senado e na Câmara esperam contar com o apoio de parlamentares insatisfeitos da base do governo para criar uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Nesta terça-feira (24), a oposição se reuniu para discutir estratégias de cooptação de parlamentares favoráveis à investigação e à convocação de Palocci.

“Vamos fazer um esforço para sensibilizar deputados e senadores da base aliada que têm posição independente. A situação gerou insatisfação também na base do governo”, afirmou o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).

O requerimento para criação de uma CPMI precisa ser assinado por 1/3 dos membros de cada Casa (171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado). Os partidos de oposição, contudo, reúnem apenas 100 deputados e 19 senadores.

Apesar da expectativa de reunir os insatisfeitos, a oposição reconhece que será mais difícil obter apoio na Câmara do que no Senado. Na avaliação do líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), a perspectiva de chegar ao número regimental do Senado é mais favorável, já que senadores do PMDB manifestaram apoio à causa.

“Na Câmara, o trabalho será mais intenso”, disse Duarte Nogueira. Ele afirmou que esse trabalho pode se tornar mais fácil por causa do descontentamento da base do governo com a forma de discussão do Código Florestal e com o decreto que suprimiu investimentos em todo o Brasil. Mas Duarte Nogueira destacou que o esforço na busca das assinaturas não deve ser misturado às discussões sobre a votação do Código Florestal, prevista para hoje.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), levantou a possibilidade de que, caso não se chegue ao número necessário para a instalação da CPMI, a oposição opte por uma CPI em apenas uma das casas (Câmara ou Senado). “Sabemos que temos um número diminuído, mas vamos somar esforços”, declarou. O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), afirmou que a oposição espera o apoio dos parlamentares que tenham capacidade de se indignar.

Reportagem da Folha de S.Paulo informou que o patrimônio de Palocci aumentou 20 vezes entre 2006 e 2010 (de R$ 375 mil para cerca de R$ 7,5 milhões) e que ele comprou, por meio de sua empresa de consultoria, dois imóveis em São Paulo: um apartamento de R$ 6,6 milhões e um escritório de R$ 882 mil.

Requerimentos
Na Câmara, duas comissões avaliam hoje cinco requerimentos para convocar o ministro Palocci: um na Comissão Mista de Orçamento e quatro na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Amanhã, a Comissão de Agricultura vota requerimento semelhante. Na semana passada, o Plenário já havia rejeitado a convocação do ministro. Há um esforço para votar requerimentos de convocação de Palocci também do Senado.

Além da mobilização pela CPMI e do esforço pela convocação de Palocci, a oposição ingressou no Ministério Público Federal com outras duas representações. O pedido é para que seja investigada a informação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de que, há seis meses, uma operação suspeita foi detectada na empresa de consultoria de Palocci. Também será pedida a investigação do faturamento de R$ 20 milhões da empresa em 2010, quando Palocci era deputado federal e um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

O senador Demóstenes Torres disse que é preciso investigar o fato de a consultoria ter arrecadado como as grandes empresas do mercado, mesmo tendo apenas um funcionário e poucos clientes. Segundo o senador, também é preciso apurar se houve tráfico de influência, ou seja, se as atividades da empresa tiveram relação com a campanha eleitoral ou se Palocci trabalhou como parlamentar para empresas que possivelmente conseguiriam favores do governo federal.

Reportagem – Rachel Librelon e Luiz Cláudio Canuto
Edição – Pierre Triboli

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