Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Oposição ajudará governo em operação-padrão para votar MPs

Quarta, 20 de Abril de 2005 às 14:54, por: CdB

A oposição deu uma pequena trégua ao governo nesta quarta-feira: aceitará fazer uma operação-padrão na votação das medidas provisórias que trancam a pauta da Câmara para que a base aliada se reorganize.

Como a base desarticulada, o governo vem encontrando dificuldades em aprovar matérias polêmicas. Por isso, decidiu aproveitar a pauta trancada na Câmara com o excesso de MPs para tentar reorganizar sua base e evitar derrotas.

A oposição havia denunciado a proposital lentidão do governo na Câmara, mas, nesta semana, resolveu suspender as críticas.

O objetivo da trégua é conseguir espaço na pauta para colocar em votação parte da reforma tributária. A iniciativa encontra resistência no governo, já que o objetivo da oposição é aprovar apenas o aumento de 1 ponto percentual do Fundo de Participação dos Municípios.

- Vamos dar mais um tempo, 15, 20 dias (para limpar a pauta), fazer o acordo e votar a reforma tributária, mas não podemos dar um ano - afirmou o líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), após se reunir com líderes de todos os partidos da Câmara para discutir a pauta, trancada há quase um mês por medidas provisórias.

Durante o encontro, o PFL havia sugerido um mutirão para liberar o plenário da Casa para votar outras matérias. A proposta foi prontamente recusada pelo líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Para muitos parlamentares, incluindo os do PT, o governo não tem número suficiente para aprovar matérias polêmicas ou rejeitar aquelas que contrariem interesses do Palácio do Planalto. Eles argumentam que a oposição só aceitou negociar por acreditar que o governo não conseguirá arrumar sua base de apoio.

A convivência com aliados políticos no Congresso ficou ainda mais arranhada após a reforma ministerial, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de fazer uma ampla mudança em sua equipe. Somado a isso, há antigas insatisfações localizadas com o lento ritmo de liberação das emendas parlamentares pelo governo, além da resistência do PT em acomodar no segundo escalão nomes indicados pelos partidos da base.

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