Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

Oposição acusa Lula de reduzir extensão da crise

Quarta, 19 de Outubro de 2005 às 11:06, por: CdB

A oposição endureceu o discurso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã desta quarta-feira. Parlamentares do PFL e do PSDB divulgaram nota conjunta na qual acusam o governo de resumir o suposto esquema do mensalão à um "simples caso de caixa 2". Assinada por parte do PSDB pelo líder do partido no Senado, Arthur Virgílio, e pelo líder da Câmara, Alberto Goldman, e da parte do PFL, pelo líder do Senado, José Agripino, e pelo líder da Câmara, Rodrigo Maia, a nota afirma que o presidente Lula comanda a montagem de uma "farsa", com o objetivo de "reduzir o escandaloso esquema de corrupção sistêmica descoberto no Governo e no Partido à simples arrecadação de recursos para campanha eleitoral, o que seria no entender deles todos, prática corrente e, portanto, justificável".

Os parlamentares apontam como a "senha" para tal "montagem" a declaração do presidente durante entrevista em Paris, em meados de julho, na qual afirma que o uso de caixa 2 seria prática sistemática dos partidos políticos no país. Para os dois partidos de oposição, a questão não se resume ao uso de "recursos de origem privada e destinados de forma ilícita à campanha eleitoral" mas do "mais vasto e escabroso esquema de corrupção sistêmica implantado no Governo e em partidos políticos jamais visto em toda a sua História".

Os oposicionistas acusam o governo e o PT de ter montado uma "poderosa máquina", com o objetivo de comprar votos e legendas de modo a permanecer no poder a "qualquer custo". Eles acreditam que o trabalho das CPIs "comprovou o funcionamento de uma poderosa máquina", provida  por recursos de empresas estatais e fundos de pensão.

Na conclusão, tucanos e pefelistas afirmam quem não irão permitir que "prospere essa tentativa de confundir a opinião pública, de reduzir todo o imenso mar de lama, todo o assalto aos cofres públicos, à 'folclórica' Caixa 2 de campanha, para livrar o Presidente Lula da sua responsabilidade". Eles também assinalaram que "os reais mentores e operadores dos desvios de recursos públicos estão longe de ser julgados. Nem foi esclarecido o verdadeiro papel de cada um, a começar pelo Presidente da República".

Contrapartida

Alheio às reclamações de tucanos e pefelistas, o PT impetrou um recurso junto à Mesa Diretora da Câmara, nesta quarta-feira, no qual pede a anulação da reunião desta terça-feira, quando foi lido no Conselho de Ética o parecer do relator Júlio Delgado (PSB-MG), que atua no caso contra o deputado José Dirceu (PT-SP). Delgado pediu a cassação do mandato de Dirceu por quebra de decoro parlamentar.

O PT alega, no recurso, que a sessão do Conselho avançou no horário permitido, isto é, se chocou com a sessão plenária da Câmara, o que não é permitido pelo regimento interno da Casa, mas o presidente da Comissão de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), se justifica:

- O número elevado de processos, o excesso de trabalho não é problema. O que incomoda são os recursos ao Supremo Tribunal Federal, à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) e agora este à Mesa. Isto atrasa, atrapalha, prejudica. Temos que tirar um assessor para responder estas questões, fazer defesas e isto só atrapalha os nossos trabalhos.

Ricardo Izar reuniu-se, à tarde, com os deputados que serão os relatores nos processos dos 11 deputados indicados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão como envolvidos no esquema de distribuição irregular de recursos no Congresso.

- Muitos dos deputados indicados para relatoria não têm experiência em processos como estes. Já foram relatores de vários projetos, mas nunca de um processo por quebra de decoro parlamentar. Estamos fazendo uma reunião para acertar o andamento dos trabalhos. Nossa estrutura é muito pequena e quero pedir apoio da assessoria da Câmara. Se conseguirmos um integrante da assessoria para ajudar um grupo de três ou quatro relatores, nossos trabalhos vão ganhar muito - disse.

Tags:
Edições digital e impressa