Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Oportunidades da integração regional

Quarta, 27 de Julho de 2011 às 06:37, por: CdB

Alongo-me um pouco mais na questão do fluxo internacional de capitais (leia mais neste blog), analisando a interessante situação na América Latina. Ela está ligada ao aumento do comércio do Brasil com a Argentina. Nosso comércio bilateral, segundo estimativas do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Enio Cordeiro, deverá ultrapassar os US$ 40 bi neste 2011, superando o recorde dos US$ 30 bi verificados no ano passado.

Nesse contexto favorável, é cada vez mais urgente e necessária a revisão do MERCOSUL para avançarmos mais no sentido da integração industrial regional, na efetiva institucionalização do mercado comum e na nossa associação com outros países como Venezuela, Bolívia e Equador.

É importante olharmos os números dos investimentos diretos estrangeiros (IED) na América Latina, em especial na América do Sul no ano passado. Somos a região do mundo que registrou a maior alta do IED em 2010, segundo o levantamento da UNCTAD, a agência da ONU para o comércio e o desenvolvimento.

O aumento do ingresso de investimentos no continente foi de 56%, totalizando recursos de US$ 86 bi. O Brasil captou sozinho 56% desse volume, afirma a UNCTAD. No total, o IED para América Latina e Caribe foi de US$ 159 bi em 2010, um aumento de 13% em relação ao ano anterior.

Estrada de duas mãos

Importante, também, é que o estudo da UNCTAD ressalta que o fluxo internacional de capitais tem sido uma via de duas mãos. As multinacionais da América Latina, estimuladas pelo forte crescimento econômico em seus países, também multiplicaram investimentos no exterior. "Os fluxos de capitais que saíram da América Latina e do Caribe aumentaram 67%, atingindo US$ 76 bi em 2010 ", frisa o relatório.

Na avaliação da UNCTAD, multinacionais brasileiras e mexicanas são, em boa parte, as responsáveis por esta alta. São as principais investidoras da região. No caso do Brasil, a saída dos recursos foi de US$ 12 bi no ano passado, em razão dos investimentos no exterior de empresas como Vale, Braskem, Petrobras, Camargo Corrêa, Votorantim e Gerdau.

Mesmo assim, dados preliminares de 2011 indicam que as entradas de IED na América Latina continuam aumentando, enquanto as saídas, os investimentos realizados por empresas da região no exterior, estão diminuindo, diz o relatório.

Diante desse quadro, é fácil concluirmos a absoluta urgência e prioridade da nossa política de integração regional que, aliás, já avançou muito com a União das nações da América do Sul (UNASUL) e com os investimentos em infraestrutura e em energia. Bom que se diga, também: há oportunidades em todos setores.

 

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