Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Opinião: Um dia que mudou o mundo

Sexta, 12 de Agosto de 2011 às 01:32, por: CdB

Dez anos depois, pelo que parece, nada mudou: os Estados Unidos da América são responsabilizados por toda a miséria no mundo. A Alemanha ocupa-se de si mesma. A menos que a ação dos EUA, de matar o fundador da Al Qaeda, Osama bin Laden, desperte os moralmente indignados. E, 10 anos depois do pior atentado da história, surgem livros querendo provar cientificamente que o 11 de Setembro de 2001 não foi um dia que mudou o mundo.

 

Tais tentativas desvalidas de declarar como acontecimento histórico uma catástrofe praticamente incapaz de ser entendida com parâmetros humanos são talvez compreensíveis do ponto de vista psicológico – mas do ponto de vista político são errôneas e moralmente são reprováveis. Pois o 11 de Setembro de 2001 mudou o mundo como quase nenhum outro dia das últimas décadas. Há um antes e um depois. A data é uma cisão, na qual foram afundadas visões de mundo, modelos de pensamento e teorias políticas. Muitas das lacunas ali surgidas não puderam ser preenchidas até hoje.

 

Isso vale sobretudo para o Ocidente: nos últimos dez anos, ele preferiu com muita frequência dar sinais precipitados de compreensão, em vez de apresentar conceitos claros e ofertas frente aos desafios propostos pelo terrorismo islâmico e seus incentivadores. Um dos exemplos mais absurdos foi a reação de medo a algumas caricaturas malfeitas do profeta Maomé.

 

Mas até isso foi superado pelo questionamento – levado a cabo sobretudo na Alemanha – se estaria de acordo com o Direito Internacional a morte do responsável por assassinatos em massa, como Osama bin Laden, em nome do qual se abusou da cultura e da religião islâmicas.

 

Tais debates demonstram como os atentados de setembro de 2001 abalaram o sistema ocidental de valores: George W. Bush – que certamente não pertence ao rol de presidentes de destaque dos EUA – afirmou dois dias após os atentados terroristas: "Iremos defender a liberdade e tudo o que é bom e justo". Essa frase simples, mas decisiva, acabou sumindo em meio à indignação frente a Guantánamo, Abu Ghraib e aos milhares de mortos deixados pelo combate ao terrorismo.

 

A evidência e a clareza de sua posição carregam hoje uma mácula. Isso é um acinte não somente em relação às vítimas do 11 de Setembro, às pessoas que tiveram que optar, no World Trade Center, entre a morte em um inferno em chamas ou pela queda de 400 metros de altura. Isso inverte, em última instância, os papéis de algozes e vítimas.

 

Perderam atenção as consequências concretas e, espera-se, não mais revogáveis da frase de Bush: de que o Afeganistão não está mais à mercê de um bando de fanáticos teocratas depreciadores de seres humanos. De que o Iraque se livrou de um ditador e se encontra a caminho da democracia. E também que as revoluções no Oriente Médio são, no final das contas, resultado de uma clara e várias vezes repetida adesão à democracia e à liberdade. O terrorismo, pelo contrário, nunca deve ser aceito.

 

Nem como "linguagem substituta da violência", como é interpretado ocasionalmente por pessoas supostamente compreensivas. O especial multimídia da Deutsche Welle mostra isso em todas as suas facetas: em histórias individuais, de regiões inteiras e nas perspectivas para todos nós – dez anos depois do 11 de Setembro. Um dia que mudou o mundo.

 

Autor: Marc Koch (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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