As operadoras de telefonia móvel do Japão estão em uma encruzilhada: não conseguem reduzir os altos níveis de subsídio a que acostumaram o mercado nos últimos anos. A acirrada competição faz com que a necessidade de responder ao rival impeça as operadoras de elevar os preços.
A média de subsídio concedido pelas operadoras do país é de US$ 400 (cerca de R$ 1.000) por aparelho e, por isso, um modelo de terceira geração, capaz de transmitir vídeos e programação televisiva em tempo real, além de navegar na internet a mais de 2 Megabits por segundo chega ao cliente final por cerca de US$ 150 (em torno de R$ 365).
Na Coréia, por exemplo, onde o subsídio é oficialmente ilegal, por determinação do governo, os aparelhos custam entre US$ 330 e US$ 500. Mesmo assim, o índice de celular a cada cem habitantes na Coréia é maior que no Japão (76,6 a cada cem contra 68,5 por cem).
"Todas querem reduzir o subsídio, mas nenhuma começa", afirmou Kazuhiko Masuda, gerente geral de desenvolvimento de negócios da KDDI, segunda maior operadora do país, em encontro com jornalistas brasileiros. Só a KDDI concedeu US$ 4,4 bilhões em subsídios em 2004, com a adição de cerca de 11 milhões de novos clientes.
No Brasil, a prática de subsídios também é comum, como forma de facilitar o acesso dos clientes ao serviço, em um país onde a maior parte da população tem baixo poder aquisitivo. No ano passado, por exemplo, o presidente da Vivo, Francisco Padinha, informava que as operadoras brasileiras estavam concedendo cerca de R$ 3 bilhões anuais em subsídios.