Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Operação no Egito prende 50 membros dos Irmãos Muçulmanos

Domingo, 16 de Maio de 2004 às 11:50, por: CdB

Uma operação na noite deste sábado prendeu 50 membros dos Irmãos Muçulmanos em vários lugares do Egito, fontes da organização disseram neste domingo à EFE. Ali Abdelfatah, membro da direção do movimento fundamentalista moderado e semiclandestino, disse à EFE que a maioria das detenções (16) foram em Alexandria e em outras cidades do Delta do Nilo, onde acredita-se que o movimento tenha mais seguidores.

Além de Alexandria, também foram detidos dois militantes em Cairo, nove em Tanta, nove em Kafr El Sheij, nove em Mansura e cinco em Monofia, cidades no norte do país. Essas detenções atingiram militantes de base, e não dirigentes da organização, assim como em outras ocasiões nos últimos anos, disseram outras fontes do movimento.

Esse tipo de prisão preventiva costuma durar um período indeterminado, até o julgamento dos detidos contra os quais forem apresentadas acusações concretas, como "associação ilegal", disse o representante do movimento.

- Ficamos surpresos que pessoas sejam presas por apoiar a resistência da ocupação dos territórios palestinos - disse Abdelfatah.

Segundo ele, a campanha de repressão contra o movimento "é uma conta que pagamos por todas as atividades da Irmandade, sobretudo depois do assassinato de Ahmed Yassin", o histórico líder da organização palestina Hamas, morto por Israel.

O porta-voz destacou que a campanha de detenções "coincidiu com o aniversário da "Nakba" ("a catástrofe", como os árabes chamam a criação do Estado de Israel) e confirma que o governo não leva em conta a causa palestina", afirmou Abdelfatah.

O porta-voz se referia às atividades da organização neste sábado, dia do 56º aniversário da "Nakba", e ao comunicado no qual a Irmandade criticou o papel dos EUA no Oriente Médio em seu apoio a Israel e rejeitou de novo "os falsos tratados de paz" assinados por Israel com seus vizinhos, Egito e Jordânia.

Outro membro da direção do movimento, Isam al Arian, lembrou em declarações à rede Al Jazira que as detenções ocorrem depois de um período de relativa tolerância por parte das autoridades, no qual não houve operações.
O governo do Egito "se aproveita da Lei de Emergência (vigente desde 1981 e que restringe as liberdades públicas) para prender membros de uma organização que condena a violência e defende a paz", disse Al Arian.
Isam al Arian se referia com isso à tradicional política de não-violência da Irmandade quanto ao Egito; mas em relação a Israel, a organização sempre defendeu a legitimidade da Jihad (guerra santa).

Al Arian fez uma advertência velada ao próprio presidente do Egito, Hosni Mubarak, ao ressaltar que o Oriente Médio "atravessa grandes perigos aos quais os chefes de governo não são imunes".

Abdelfatah pediu "a todos os povos árabes que se unam para enfrentar as pressões sionistas contra os árabes, que levaram a declarar guerra no Iraque e que incluirão a Síria, que será o próximo país a ficar sob a mira".

O governo egípcio tem uma atitude ambivalente com os Irmãos Muçulmanos, pois mantém a organização na ilegalidade e submete seus membros a operações periódicas, mas ao mesmo tempo permite ao movimento manter uma sede e um site, além de vários deputados no Parlamento que foram escolhidos como "independentes".

Fundada em 1927, a organização é a primeira na história a defender um Islã político, e considera-se que da Irmandade surgiram - às vezes como cisões - todos os grupos islâmicos no Egito, inclusive os violentos como a Jihad e a Gamaa Islamiya. A Irmandade tem sua principal base no Egito, mas tem ramificações em quase todos os países árabes.

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