O terceiro depoimento marcado para esta segunda-feira terminou por volta das 17h20 na 6ª Vara Federal, na Zona Portuária do Rio. Foram ouvidos Belmiro Martins Ferreira, Licínio Soares Bastos e Laurentino Freire dos Santos, presos durante a Operação Furacão. O primeiro está ligado ao esquema das máquinas caça-níqueis, enquanto os dois outros são donos de bingos.
Até agora, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho já ouviu nove pessoas envolvidas no esquema de corrupção e jogo ilegal. Entre eles, os bicheiros Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, Aniz Abrahão David, o Anísio, e Antônio Petrus Kalil, o Turcão.
Estão previstos para quarta-feira os depoimentos de José Luiz da Costa Rebello, Ana Cláudia Rodrigues do Espírito Santo e Jaime Garcia Dias. Todos os convocados pela juíza deverão ser ouvidos até o dia 7 de maio. Depois, serão transferidos para um presídio federal em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
Laurentino Freire dos Santos, sócio do Bingo Icaraí, acusado de integrar a máfia dos caça-níqueis foi o terceiro a prestar depoimento. Laurentino, segundo a PF, seria um dos intermediadores das negociações dos chefes da rede de corrupção e jogo ilegal.
Laurentino Freire dos Santos e Licínio Soares Bastos são os operadores das decisões dos chefes da organização. Eles se beneficiaram do esquema de corrupção. Licínio e Belmiro Martins Ferreira também prestaram depoimento nesta segunda-feira.
Na denúncia, Belmiro aparece como sócio da empresa Betec Games, especializada na importação de componentes eletrônicos. Por intermédio da empresa, a quadrilha impetrou mandado de segurança junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, com o objetivo de ver devolvidas 900 máquinas apreendidas.
De acordo com a denúncia da Polícia Federal, esse mandado teria sido liberado com o pagamento de propina pela quadrilha de R$ 1 milhão ao desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim. A transação teria sido intermediada pelo genro do desembargador, o também denunciado advogado Silvério Nery Júnior.
Belmiro Martins Ferreira disse nesta segunda-feira à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio, que a sua empresa Betec tem cerca de 1.000 máquinas, contando as que estão paradas.
Segundo ele, a Betec aluga máquinas para quase todos os bingos do Rio. Ele afirmou que comprava essas máquinas no mercado interno e que não tinha conhecimento da importação irregular de componentes.
Ele ainda disse que não seria possível alterar os programas dessas máquinas -que custariam cerca de R$ 3.000, cada uma.
No depoimento ele afirmou que é sócio de seu irmão José Renato Granado Ferreira - vice presidente da Aberj - na Betec. Disse ainda que seu irmão é que seria responsável por contatar advogados para resolver problemas jurídicos das empresas como a liberação das máquinas.
Na quinta-feira, prestarão depoimento Evandro da Fonseca, Silvério Nery Cabral Júnior e Sérgio Luzio Marques de Araújo. Na sexta-feira, serão ouvidos Virgílio de Oliveira Medina, Luiz Paulo Dias de Mattos e Nagib Teixeira Sauid. Nessa primeira fase de interrogatório, a Justiça Federal deve ouvir pelo menos mais treze acusados de participar do esquema.
Operação Furacão: Terminam os três depoimentos desta segunda-feira
Segunda, 30 de Abril de 2007 às 14:59, por: CdB