Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2026

Operação Furacão: advogado diz que delegado só tinha relação pessoal com outros presos

Terça, 17 de Abril de 2007 às 15:29, por: CdB

O advogado Raul Ornellas, que representa o casal de delegados da Polícia Federal (PF) Susie Pinheiro Dias de Mattos e Luiz Paulo Dias de Mattos, presos pela Operação Furacão, afirmou que seus clientes conheciam outros pessoas presas por envolvimento no esquema revelado, mas não estavam envolvidos nas atividades ilegais.

- Esquema é uma coisa que subentende engrenagem. Eles tinham relações pessoais com algumas pessoas que estão sendo acusadas frontalmente, mas obviamente não tinham nenhum envolvimento infracional ou delituoso [com elas] -, comentou.

Segundo Ornellas, os dois mantinham uma "ligação boêmia" com o policial civil do Rio de Janeiro Marcos Breta, cujo depoimento estava marcado para esta terça e foi suspenso, sem motivo divulgado.

Ornellas disse não saber por que a delegada foi acusada. Afirmou que ela é inocente e que, como funcionária da ativa, tem colaborado com as investigações. Ele pediu a revogação da prisão provisória.

- Ela já prestou depoimentos, já sofreu as buscas necessárias e obviamente já exauriu os motivos de prisão provisória, que foi a determinação objetiva do decreto prisional -, disse.

Sobre os US$ 12 mil encontrados, em notas, na casa dos delegados, o advogado respondeu que "não é proibido ter dinheiro em casa".

- É proibido ter dinheiro na cueca. De modo que é normal, já que o dinheiro foi declarado -, acrescentou.

Raul Ornellas disse que está tendo dificuldade para acessar o processo de seus clientes. Ele estava, nesta tarde, no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar obter o processo, mas, segundo relatou, foi informado de que deveria voltar no final da tarde, porque advogados que entraram com petições antes estão tendo prioridade.

- A dificuldade da defesa está sendo no sentido de exercitar o direito líquido e certo de ampla defesa -, disse.

A operação prendeu 25 pessoas, até o último balanço divulgado. Entre os presos estão contraventores, delegados, juízes e desembargadores, acusados dos crimes como tráfico de influência, corrupção e envolvimento com jogos ilegais.

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