Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 2026

Operação de siamesas iranianas é atrasada por complicações

Terça, 08 de Julho de 2003 às 00:58, por: CdB

Complicações surgidas durante a separação dos cérebros das siamesas iranianas, na madrugada desta terça-feira, retardarão o final da cirurgia, informaram médicos ligados à operação. A primeira operação deste tipo em todo mundo começou na manhã do último domingo, para separar as iranianas de 29 anos Ladan e Laleh Bijani, e ainda prossegue superando a previsão inicial de 48 horas para a conclusão da cirurgia. Vários problemas surgiram durante a cirurgia, que a equipe médica sempre apresentou como uma intervenção de alto risco. Segundo os médicos, as irmãs podem ficar em estado vegetativo. - Parte do cérebro foi separada, mas os médicos ainda não atingiram a base. Avançam milímetro a milímetro - disse um responsável do Hospital Raffles de Cingapura, onde está sendo feita a cirurgia. A separação dos cérebros distintos, porém unidos entre si, é uma das fases mais delicadas da operação. Os neurocirurgiões estimaram que levariam de oito a dez horas nesta fase, mas já dura 17 horas. O porta-voz do hospital, Prem Kumar Nair, explicou que os dois cérebros estão mais unidos do que se supunha. - Como ficaram 29 anos unidas, os cérebros estão muito ligados um ao outro. A separação levará mais tempo porque os cirurgiões devem cortar o tecido com muita precaução - disse Nair, assinalando ainda que as gêmeas apresentam problemas de circulação. Os médicos perderam muito tempo na segunda-feira, cortando a placa óssea para separar os crânios, que estavam unidos de forma mais compacta que o previsto. Os médicos conseguiram fazer um enxerto para irrigar o cérebro de Ladan, aproveitando uma veia retirada de sua perna direita. As irmãs tinham os cérebros irrigados por uma única artéria. Laleh ficará com a artéria original, mas os cirurgiões ainda não haviam cortado a ligação do cérebro de Ladan com esta veia, um dos momentos críticos da operação. Nair destacou que o atraso não implica necessariamente em um resultado negativo da cirurgia, realizada por uma equipe de 24 médicos e cerca de cem auxiliares, sob a direção do cingapuriano Keith Goh. - O risco segue sendo mais ou menos o mesmo - declarou Nair, ao comentar o atraso. A duração da anestesia geral segue dentro dos limites "toleráveis". O doutor Goh conseguiu separar bebês gêmeos unidos pela cabeça, mas esta é a primeira operação do mesmo tipo com pessoas adultas. A operação para separar os siameses nepaleses Ganga e Jamuna Shrestha, em 2001, durou 97 horas.

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