Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Ópera com sexo e violência causa escândalo

Segunda, 28 de Junho de 2004 às 10:47, por: CdB

Uma ópera que inclui estupros, tortura e masturbação vem provocando escândalo em Berlim. O espetáculo ainda apresenta um barítono nu cantando uma ária no chuveiro e um herói que se veste de mulher e encerra a noite massacrando um grupo de prostitutas seminuas.

Die Entfuehrung aus dem Serail (A Abdução do Harém), de Mozart, uma das mais populares óperas do compositor austríaco do século 18, normalmente é encenada como comédia de costumes ambientada num palácio turco mítico.

A nova produção apresentada pela Komische Oper de Berlim desloca a ação para um bordel contemporâneo onde um cafetão brutal se vale de estupros e torturas para manter seu domínio sobre as mulheres.

O diretor da ópera é o catalão Calixto Bieito, que já viu suas produções anteriores serem saudadas com folhetos proclamando "Morte a Bieito!"

Ele diz que quis usar a ópera para chamar a atenção para a difícil situação das mulheres vítimas de exploração sexual comercial.

Mas a produção vem gerando artigos indignados na imprensa alemã e a ameaça inicial da DaimlerChrysler, uma de suas principais patrocinadoras, de retirar seu patrocínio.

As apresentações têm sido interrompidas em diversos momentos por gritos de revolta do público, e muitas pessoas têm abandonado o teatro no meio do espetáculo, enfurecidas.

Entre atos de sexo simulado com as prostitutas presentes por toda parte no set, um dos personagens urina sobre o palco e esfaqueia uma mulher que não pode reagir, enquanto outra assiste a tudo, apavorada.

A heroína, Konstanza, se encolhe, assustada, dentro de uma jaula, enquanto o vilão Selim Paxá coloca a mão dentro de suas calças e lhe faz uma série de ameaças repulsivas, em apartes falados inseridos no texto.

Enquanto isso, seu amado, Belmonte, se arma com um revólver e, com a ajuda de seu criado tatuado, se infiltra no bordel usando vestido apertado e botas de cano alto.

Na noite de estréia, uma voz vinda do palco comentou, quando Belmonte matou a primeira das prostitutas e seus guardas, "agora é a vez do diretor!"

Mas os defensores do espetáculo observam que, por trás da música belíssima de Mozart, o texto da ópera é, de fato, muito sombrio, repleto de ameaças de empalamento e decapitação, e dizem que a produção transmite uma mensagem poderosa sobre a violência, a opressão e o sexo.

As apresentações vêm tendo um público grande desde que a ópera entrou em cartaz, na semana passada, e têm sido aplaudidas pelos espectadores que permanecem até o final.

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