Não há justificativa, ainda, para que a Opep ofereça sua capacidade extra de produção ao mercado numa tentativa de reduzir os preços do petróleo, afirmou neste domingo o presidente do cartel, Edmund Daukoru. O ministro do Petróleo do Kuweit, Ahmad al-Fahd al-Sabah, disse que faria essa proposta aos companheiros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, nesta segunda-feira, para que repitam o que foi feito após a passagem dos furacões Katrina e Rita.
- Quando nós fizemos aquilo foi em resposta a uma emergência de fato, física. Eu não tenho certeza de que podemos dizer o mesmo agora - afirmou Daukoru a jornalistas.
Investimentos no Irã
A disputa do Irã com o Ocidente em torno de seu programa nuclear não está afastando os investidores estrangeiros dos valorizados campos petrolíferos do país, e o Irã promete continuar a exportar petróleo, aconteça o que acontecer. O país vem sendo acusado de procurar desenvolver armas nucleares e pode enfrentar sanções das Nações Unidas se não parar de enriquecer urânio. O país diz que sua intenção é unicamente produzir eletricidade.
- A idéia de ter outras fontes energéticas foi recomendada ao Irã 15 anos antes da revolução islâmica - disse no domingo o ministro do Petróleo iraniano, KazemVaziri.
Mas o petróleo continua a ser a principal fonte de atração do dinheiro vindo de fora do país.
- Recentemente temos tido ofertas e participação muito boas de empresas estrangeiras de todo o mundo - declarou Vaziri nos bastidores de um fórum energético realizado em Doha.
Os executivos petrolíferos internacionais esperam que Vaziri possa pôr fim a anos de paralisia comercial provocada por disputas internas acirradas e pela burocracia que domina o setor petrolífero iraniano, estagnado desde a Revolução islâmica de 1979. Os campos petrolíferos e de gás iranianos foram abertos a empresas estrangeiras desde 1995, e as empresas européias Royal Dutch Shell, Total e Eni investiram bilhões de dólares para ajudar a elevar a capacidade produtiva em 500 mil barris por dia (bpd).
E, apesar das críticas expressas a sua campanha de busca de investimentos do exterior, o Irã é hoje o único produtor do Oriente Médio a contar com reservas petrolíferas abundantes e ainda não exploradas que se abriu aos investimentos estrangeiros. O executivo-chefe da Shell, Jeroen van der Veer, também presente no fórum de Doha, disse que o Irã continua a ser um grande alvo para investimentos.
- Acho que precisamos nos dar conta de que o Irã possui enormes reservas de petróleo e gás. A questão em pauta aqui é a energia para o futuro do mundo que pode ser desenvolvida, contratos que duram décadas, e isso é um horizonte temporal totalmente diferente - disse ele.