Os ministros dos países-membros Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiram, nesta segunda-feira, manter a cota de produção oficial em 28 milhões de barris por dia. O ministro da Energia da Argélia, Chakib Khelil, confirmou a decisão que, no entanto, enfrentou a resistência de alguns dos membros do cartel: a queda recente no preço da commodity levou alguns a defender uma redução de 500 mil barris por dia na cota.
O preço do barril voltou nesta segunda-feira ao patamar de US$ 65, com a diminuição das tensões sobre a crise nuclear no Irã e a situação favorável dos estoques mundiais do produto; além da ligeira redução de demanda nos EUA e na China. A Opep estima que o consumo nos EUA deve crescer em apenas 90 mil barris por dia neste ano, depois de um crescimento de 230 mil em 2005 e de 520 mil em 2004. Na China, a demanda neste ano deve crescer em 540 mil barris por dia, contra 790 mil no ano passado.
O barril, assim, acumula perda de cerca de US$ 13 em relação ao recorde, US$ 78,40, atingido em julho.
Além disso, a British Petroleum informou que pode restaurar sua produção na baía de Prudhoe (Alasca) até outubro. A região é responsável por 8% do petróleo fornecido aos EUA.
A queda de preços incomoda os ministros da Opep, alguns mais, outros menos. O da Arábia Saudita, Ali Naimi, por exemplo, acha que o recuo é apenas momentâneo. Já o presidente da Opep, e ministro do Petróleo da Nigéria, Edmund Daukoru, está "muito" preocupado.
- Estou muito preocupado com a queda nos preços [do petróleo]. Não sabemos quanto tempo mais podemos tolerar, e temos que rever isso em profundidade - disse, segundo o diário britânico Financial Times.
Ministro do Petróleo da Venezuela, Rafael Ramirez também não quer que o preço do produto "desabe".
- Não podemos permitir que o preço desabe. Acreditamos que não deve baixar para menos de US$ 60 - disse Ramirez.
A Opep vai aguardar a evolução dos preços, disse o ministro venezuelano.
- Nossa posição é de que, dependendo do preço, seria preciso tomar alguma medida até o fim do ano, ou o próximo, para tirar do mercado os excessos de produção - afirmou, segundo divulgou a agência francesa de notícias France Presse.
Ramirez criticou os EUA pela estrutura "demasiadamente dispendiosa" do país em termos de energia.
- Nós, como produtores de um recurso natural que se esgota, [queremos] que as grandes nações industrializadas racionalizem o consumo - para evitar uma crise no futuro, disse.A próxima reunião da Opep está programada para dezembro, na Nigéria.